Ator agrediu funcionário de restaurante em 2024; Justiça reconhece dano à honra
O ator Rafael Cardoso foi condenado a pagar R$ 25 mil por danos morais ao gerente de restaurante João Fernando Valente Brito, agredido em fevereiro de 2024, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. A decisão foi proferida pelo 1º Juizado Especial Cível da região, com base em provas e depoimentos que confirmam a agressão ocorrida dentro de um estabelecimento comercial.
O caso veio à tona após a divulgação de imagens de câmeras de segurança que mostram o ator desferindo socos contra o gerente. O episódio ocorreu no restaurante Braseiro da Praia, quando Cardoso, visivelmente alterado, teria ameaçado Brito e o agredido com um soco na nuca. A cena foi testemunhada por clientes e funcionários do local, ampliando a repercussão negativa para o artista.
Na sentença, o juiz Mario Cunha Olinto Filho destacou que, embora as agressões não tenham causado lesões físicas permanentes, os atos “ferem a honra de forma indubitável”. Ele também ressaltou que a violência foi agravada pelo fato de ter sido cometida publicamente, em clara desvantagem física para a vítima, que ainda se recuperava de uma cirurgia na região abdominal.
Segundo o relato de Brito ao jornal O Globo, o ator o abordou de forma agressiva logo após uma freada brusca em frente ao restaurante. “Ele apertou minha mão e falou ‘eu vou te matar’”, contou o gerente, que recebeu o golpe enquanto tentava se afastar. O gerente relatou ainda que, por estar em recuperação de uma cirurgia de hérnia inguinal, não teve como reagir à agressão.
Rafael Cardoso chegou a ser investigado pela Polícia Civil e, em julho, aceitou uma proposta do Ministério Público para encerrar o processo criminal, mediante a doação de dois salários-mínimos a uma instituição de caridade. No entanto, insatisfeito com a solução penal, o gerente optou por mover uma ação cível pedindo reparação moral.
O juiz acatou integralmente o pedido, reconhecendo o impacto do ato na vida pessoal e profissional da vítima. “A conduta do réu extrapolou os limites da civilidade e atingiu diretamente a dignidade do autor”, escreveu o magistrado na decisão, que considerou as provas audiovisuais como determinantes para a condenação.
O episódio expõe mais uma vez o debate sobre os limites do comportamento de figuras públicas, especialmente quando ações pessoais se tornam casos judiciais. Apesar da tentativa de encerramento do caso pela via criminal, a esfera cível acabou impondo uma reparação ao ator, que já enfrenta abalos em sua imagem pública.
Rafael Cardoso ainda não se manifestou oficialmente sobre a condenação. O caso segue gerando repercussão entre fãs, críticos e colegas de profissão, num momento em que sua carreira passa por reestruturação.