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Quem é Sheikh Hasina, ex-premiê de Bangladesh condenada à morte

Líder deposta é acusada de repressão violenta a protestos estudantis em 2024.

17 de Novembro de 2025
Foto: AP

Um tribunal de Bangladesh condenou nesta segunda-feira (17) a ex-primeira-ministra Sheikh Hasina à morte, após meses de julgamento que a consideraram culpada por crimes contra a humanidade ao ordenar uma repressão violenta contra um levante estudantil no ano passado. Antes do veredito, Hasina rejeitou todas as acusações, afirmando que a condenação era “uma conclusão inevitável”.

O clima no país era de forte tensão nos dias que antecederam a sentença, com pelo menos 30 explosões de bombas caseiras e 26 veículos incendiados, embora sem registro de vítimas. Segundo o tribunal, cerca de 1.400 manifestantes foram mortos e até 25 mil ficaram feridos durante as semanas de protestos em 2024.

Hasina enfrentou cinco acusações, principalmente por incitar o assassinato de manifestantes, ordenar enforcamentos e autorizar o uso de armas letais, drones e helicópteros na repressão. A ex-premiê vive em exílio autoimposto na Índia desde o ano passado e não compareceu ao tribunal em Dhaka.

Líder de Bangladesh entre 2009 e 2024, ela governou o país com mão de ferro até ser derrubada por um movimento liderado pela Geração Z. A decisão judicial de hoje aumenta o temor de novos episódios de instabilidade política às vésperas das eleições previstas para fevereiro do próximo ano.

Sheikh Hasina é filha de Sheikh Mujibur Rahman, fundador de Bangladesh, e entrou para a vida política ainda jovem, acompanhando a luta pela autonomia da região de Bengala. Em 1975, após um golpe militar, seu pai, sua mãe e três irmãos foram assassinados, forçando-a ao exílio. Ela retornou ao país em 1981 para liderar a Liga Awami, partido de seu pai, e tornou-se primeira-ministra pela primeira vez em 1996. Voltou ao poder em 2008 e governou até 2024.

Durante sua gestão, Bangladesh registrou forte crescimento econômico, mas organizações de direitos humanos têmia crescente concentração de poder e relatos de intimidação de eleitores, violência política e pressão sobre a mídia e opositores. Grupos denunciam o uso da lei de segurança cibernética para prender jornalistas, artistas e ativistas, com relatos de detenções arbitrárias e tortura.

Embora Hasina tenha resistido a diversas ondas de protestos ao longo dos anos, a revolta de 2024 levou à sua queda. Muitos de seus familiares, ex-ministros e dirigentes do partido também vivem fora do país. Seus apoiadores classificam o julgamento como motivado politicamente e uma tentativa de afastá-la da vida pública. A Liga Awami permanece proibida de atuar politicamente enquanto os processos seguem em andamento.

Já o governo interino, liderado pelo Nobel da Paz Muhammad Yunus, afirma que os julgamentos são essenciais para restaurar a responsabilização e reconstruir a confiança pública nas instituições democráticas do país.

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