Ecossistema retira três vezes mais carbono que a floresta e é alvo de reflorestamento e monitoramento.
Os manguezais amazônicos, com árvores que chegam a 30 metros de altura, são potentes sumidouros de carbono, retirando da atmosfera três vezes mais gás poluente que as florestas de terra firme. A maior área contínua protegida de mangue do mundo fica entre Maranhão, Pará e Amapá.
No nordeste do Pará, o projeto Mangues da Amazônia, coordenado pela UFPA, atua em parceria com comunidades locais para mapear vegetação, fauna e áreas de corte de madeira. A iniciativa também refloresta as regiões mais degradadas.
“A gente vai na comunidade, mostra o mapa da região e pergunta onde está ocorrendo corte de madeira. Eles indicam no mapa. A gente visita cada um dos lugares para fazer o georreferenciamento”, explica o professor Marcus Fernandes, coordenador do projeto.
O trabalho acontece em quatro reservas extrativistas nos municípios de Tracuateua, Bragança, Augusto Corrêa e Viseu, cobrindo 131 mil hectares. O corte de madeira é permitido, desde que comunicado ao ICMBio, mas nem sempre é fiscalizado.
“Eles declaram onde vão cortar, mas tiram de outro lugar. E vendem para padarias, olarias... É um problema”, relata Fernandes.
O projeto também realiza censos populacionais de caranguejos e mapeamento genético das árvores.
“Quanto maior a variabilidade genética, melhor a chance da planta se adaptar às mudanças climáticas”, diz Fernandes.
Os manguezais armazenam até 600 toneladas de carbono por hectare, acima da média mundial. Com a redução das chuvas — de 3 mil para 2 mil mm anuais —, a função de sumidouro está ameaçada.
“O solo deixa de reter carbono e começa a liberar”, alerta Hudson Silva, da UFPA.
“Se a gente corta esse ambiente, libera uma bomba de carbono. E tira a proteção costeira”, reforça Fernandes.
O projeto é patrocinado pela Petrobras, dentro do Programa Socioambiental da estatal, que investe R$ 1,5 bilhão até 2029.
“A cada R$ 1 investido, o retorno social estimado é de R$ 7”, diz Sue Wolter, gerente da Petrobras.
“Quando falar de Amazônia, é preciso falar dos manguezais também”, conclui John Gomes, gestor do projeto.