Pesquisa busca reduzir conflitos, preservar espécies e promover práticas sustentáveis em comunidades ribeirinhas.
A partir desse levantamento, os pesquisadores identificaram padrões de convivência, além de pontos de tensão entre atividades humanas e a preservação dos animais. O diagnóstico também evidenciou a necessidade de ampliar ações voltadas ao equilíbrio entre o uso dos recursos naturais e a conservação das espécies.
De acordo com o pesquisador João Borges, do Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho, a iniciativa busca soluções práticas para reduzir conflitos sem comprometer as atividades tradicionais. Entre os desafios estão a pesca e outras práticas cotidianas que impactam diretamente o habitat dos mamíferos aquáticos.
Entre as espécies analisadas estão os botos (tucuxi e vermelho), peixes-boi, ariranhas e lontras, que fazem parte do cotidiano das populações locais. Esses animais são frequentemente afetados por caça, captura incidental e outros impactos associados à subsistência.
Foto: Carolina Oliveira
Foto: Marcelo Ismar Santana
Próximos passos do projeto
Em fevereiro de 2026, pesquisadores e instituições envolvidas reuniram-se na sede do Instituto Mamirauá para elaborar um plano estratégico voltado à próxima etapa do projeto. A proposta é desenvolver ações que reduzam impactos negativos e fortaleçam a convivência sustentável entre humanos e fauna aquática.
Como parte desse processo, foi construída uma “teoria da mudança”, que orienta iniciativas de longo prazo. Entre as práticas recomendadas estão o monitoramento de redes de pesca, evitar instalação de malhadeiras em áreas sensíveis e adoção de medidas preventivas durante atividades nos rios.
Seca intensifica vulnerabilidade das espécies
As mudanças climáticas e as secas extremas registradas na Amazônia em 2023 e 2024 aumentaram a vulnerabilidade dos mamíferos aquáticos, reforçando a importância do monitoramento contínuo. Durante esse período, instituições ampliaram esforços para entender as causas da mortalidade das espécies.
Segundo a pesquisadora Míriam Marmontel, a criação de uma rede de comunicação com comunidades ribeirinhas tem sido essencial para o monitoramento. Moradores passaram a alertar equipes de pesquisa em casos de morte de animais, fortalecendo a resposta rápida e a coleta de dados.
O projeto é realizado pela Fundação Mamíferos Aquáticos, em parceria com o Instituto Mamirauá e seu Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos, com financiamento do CNPq e apoio acadêmico da Universidade Federal da Paraíba. A iniciativa também integra ações de conservação, pesquisa científica e desenvolvimento sustentável na região amazônica.