Ao todo, mais de 3.500 famílias foram afetadas pela cheia
A cheia do Rio Purus tem causado prejuízos aos produtores rurais de Boca do Acre, no Amazonas, com terras desmoronando e animais morrendo. Apesar da descida de 24 centímetros nos últimos três dias, os impactos da enchente ainda são severos para as comunidades afetadas.
De acordo com a Defesa Civil do município, o nível do rio estava em 18,60 metros nesta segunda-feira (31). A situação obrigou agricultores como Osvaldo Souza a improvisar estruturas elevadas, chamadas "trapiches", para proteger os animais da inundação.
Além das inundações, o fenômeno das "terras caídas" tem destruído plantações e colocado em risco o gado e outros animais, que podem ser arrastados pelo rio ao se aproximarem das margens instáveis. Isso afeta diretamente a economia local, aumentando as dificuldades dos produtores.
A prefeitura de Boca do Acre tem realizado ações emergenciais, distribuindo cestas básicas, água potável e enviando atendimento médico por meio de uma unidade de saúde fluvial para ajudar as famílias atingidas. Ao todo, mais de 3.500 famílias foram afetadas pela cheia.
O Amazonas já tem 23 municípios em alerta devido à cheia de 2025, sendo três em situação de emergência. Guajará, Humaitá e Boca do Acre estão entre os mais afetados, segundo a Defesa Civil.
Apesar das preocupações, especialistas do Serviço Geológico do Brasil (SGB) afirmam que a cheia no estado deve ficar dentro da normalidade este ano, sem atingir recordes históricos. A previsão foi divulgada no último alerta do órgão, na sexta-feira (28).
O pesquisador André Martinelli, do SGB, explicou que, embora as chuvas tenham ficado acima da média nos últimos meses, o cenário indica uma cheia dentro dos padrões esperados para o Amazonas. Em Manaus, por exemplo, o Rio Negro não deve superar o recorde de 2021, quando chegou a 30,02 metros.