Economia

Presidente do BNDES sugere taxar bets como alternativa ao aumento do IOF

Aloizio Mercadante defende aposta na tributação das plataformas de apostas esportivas.

26 de Maio de 2025
Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, defendeu nesta segunda-feira (26) o recente aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), anunciado pelo governo federal. Durante um evento voltado à indústria brasileira, Mercadante respondeu às críticas de setores empresariais e destacou que, além de criticar, é preciso apresentar soluções.

Entre as alternativas propostas, Mercadante sugeriu aumentar a tributação sobre as apostas esportivas, conhecidas como bets.

“O ministro [da Fazenda, Fernando] Haddad tem que entregar o orçamento fiscal. É a responsabilidade dele. Então, tem que dizer qual é a alternativa. Eu já faço uma sugestão pública aqui: vamos aumentar os impostos das bets, que estão corroendo as finanças populares. A gente poderia, com isso, diminuir, por exemplo, o impacto do IOF e criar alternativa”, afirmou.

Em entrevista à imprensa após o evento, Mercadante explicou que a elevação do IOF, somada à estabilização do dólar, tem como objetivo permitir que o Banco Central promova uma redução “segura, progressiva e sustentável” da taxa básica de juros, a Selic.

Na última quinta-feira (23), o governo anunciou mudanças nas alíquotas do IOF, incluindo o aumento do imposto sobre crédito para empresas, que passou de 1,88% para 3,95% ao ano. Algumas das medidas foram posteriormente revistas, como a proposta de elevar de 1,1% para 3,5% a alíquota sobre compra de moeda em espécie e remessa para contas de brasileiros no exterior.

Durante o mesmo evento, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que até o final desta semana o governo deve definir as medidas para compensar o recuo sobre parte do aumento do IOF.

“Temos até o final da semana para decidir como vamos compensar, se é com mais contingenciamento ou com alguma substituição”, declarou Haddad.

Em relação às críticas sobre o aumento do custo do crédito causado pela alta do IOF, Haddad respondeu que a própria elevação da taxa básica de juros também “aumenta o custo do crédito e nem por isso os empresários deixam de compreender a necessidade da medida”. O ministro ainda comparou com o governo anterior, dizendo que as alíquotas eram ainda mais altas.

“Queremos resolver isso o quanto antes, o fiscal e o monetário, para voltar a patamares adequados tanto de tributação quanto de taxa de juros para o país continuar crescendo”, concluiu Haddad, ao deixar o evento na sede do BNDES, no Rio de Janeiro.

Leia Mais
TV Em Pauta

COPYRIGHT © 2024-2025. AMZ EM PAUTA S.A - TODOS OS DIREIROS RESERVADOS.