Além dos confrontos com as forças presidenciais, mais de 11 mil manifestantes pró-Yoon comemoraram a suspensão da operação
Autoridades da Coreia do Sul suspenderam, nesta sexta-feira (3), a operação para cumprir o mandado de prisão contra o presidente destituído Yoon Suk Yeol. A tentativa de prisão enfrentou resistência de soldados e guardas presidenciais, além de milhares de manifestantes pró-Yoon que dificultaram o acesso ao local.
Yoon, ainda residente no palácio oficial da presidência em Seul, continua sendo protegido por cerca de 200 agentes e uma unidade militar. A barreira formada por apoiadores e seguranças bloqueou a ação das forças policiais por mais de cinco horas, forçando a suspensão da operação para garantir a segurança no local.
De acordo com o Escritório de Investigação de Corrupção (CIO) sul-coreano, o confronto com os seguranças presidenciais e a preocupação com a integridade física dos envolvidos tornaram inviável a execução do mandado de prisão. O CIO ainda tenta negociar com o presidente interino Choi Sang-mok para facilitar futuras operações.
O mandado contra Yoon, emitido em 31 de dezembro, investiga crimes de insurreição relacionados ao decreto de lei marcial, que restringiu direitos civis e motivou seu impeachment no início de dezembro. Mesmo afastado, Yoon formalmente mantém o título de presidente enquanto o Tribunal Constitucional analisa sua destituição definitiva.
Nesta sexta, a equipe jurídica de Yoon argumentou que o CIO não tem autoridade para investigar insurreição e declarou o mandado de prisão como ilegal. A resistência das forças de segurança presidenciais já havia bloqueado outros mandados judiciais desde o impeachment de Yoon, agravando as tensões entre as partes.
Além dos confrontos com as forças presidenciais, mais de 11 mil manifestantes pró-Yoon comemoraram a suspensão da operação. Do outro lado, centenas de opositores pediam a prisão do presidente afastado em protestos organizados pela Confederação Coreana de Sindicatos.
O Tribunal Constitucional anunciou para 14 de janeiro a primeira audiência para julgar a destituição definitiva de Yoon Suk Yeol. Caso se recuse a comparecer, outra sessão está agendada para o dia 16.
A crise política começou com a declaração de lei marcial por Yoon em dezembro, alegando ameaças das forças norte-coreanas. O decreto foi rapidamente revogado pelo Parlamento, que aprovou o impeachment e abriu caminho para a investigação criminal e o julgamento constitucional do caso.