Medida visa aumentar segurança no trânsito após crescimento de acidentes e mortes, mas gera revolta entre trabalhadores da categoria
A Prefeitura de Parintins, em conjunto com a Empresa Municipal de Trânsito e Transportes (EMTT), anunciou a proibição do transporte de pessoas em triciclos motorizados nas ruas da cidade, uma medida tomada após o aumento de acidentes e mortes no trânsito nos últimos anos. A decisão gerou revolta entre os trabalhadores da categoria, conhecidos popularmente como "carrocinhas" ou "motocar".
De acordo com a EMTT, a nova regulamentação segue o que estipula o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que permite o uso dos triciclos motorizados apenas para o transporte de carga. Os trabalhadores, muitos deles ex-motoristas de triciclos puxados por bicicletas, destacam que a medida compromete sua principal fonte de renda. Eles também ressaltam a importância dos triciclos para a cidade, prestando serviços essenciais a pequenos comerciantes, produtores rurais e turistas que visitam Parintins.
Os profissionais da categoria argumentam que não são os responsáveis pelo aumento dos acidentes e mortes no trânsito e que a proibição prejudica suas famílias. “Nós estamos sendo perseguidos pelos fiscais de trânsito. A gente sabe que eles estão fazendo o trabalho deles, mas nós estamos sendo prejudicados porque nós somos pais de família e dependemos desses veículos para trabalhar”, afirmou o autônomo Francenildo Costa.
Outro trabalhador, Roney Oliveira, também falou sobre a contribuição dos triciclos para a economia local: “Cumprimos uma função importante para o município de Parintins, que é fazer o transporte da mercadoria dos pequenos comerciantes, dos agricultores, das pessoas de baixa renda que vêm para a cidade. Então, temos um impacto grande na economia do município, ajudando essas pessoas que necessitam do nosso serviço.”
Segurança no trânsito foi a principal justificativa para a proibição, como explicou o diretor-presidente interino da EMTT, Ricardo Cohen. "Nós estamos proibindo eles de carregarem pessoas, que de acordo com o Código de Trânsito, é proibido. Com carga não tem problema nenhum eles trabalharem, a nossa preocupação é eles carregarem pessoas em um veículo que não é adequado para o transporte de pessoas", disse Cohen.
A Prefeitura de Parintins e a categoria devem se reunir nos próximos dias para discutir a questão.
Aumento dos acidentes
Levantamento feito pelo Observatório Nacional do Trânsito, divulgado em janeiro deste ano, revelou um aumento significativo nos acidentes e mortes no trânsito de Parintins. Em 2023, foram registrados 1.745 acidentes com 11 óbitos. Em 2024, o número subiu para 2.409 acidentes e 19 mortes, representando um aumento de 38% nos acidentes e 72% nas mortes.
Os trabalhadores de triciclos motorizados destacam que raramente estão envolvidos nesses acidentes. "A maioria dos acidentes aqui em Parintins são pessoas que ficam na rua bebendo, ficam embriagadas, aí ocorrem os acidentes e mortes. Mas você não vê acidente com carrocinha, é difícil", afirmou o autônomo Rodrigo Batista.
Adriano Fernandes, autônomo que trabalha há 6 anos com triciclo motorizado, pediu mais diálogo com a Prefeitura. “O prefeito, a EMTT tem que ver que nós precisamos, somos pais de família. Todos aqui querem receber o povo que vem pra Parintins, não só os turistas, mas também o povo que vem do interior e os ribeirinhos que também precisam do nosso serviço”, declarou.