Investigação aponta que crime teve participação de facção criminosa e foi planejado com frieza
A Polícia Civil do Amazonas prendeu, na última quarta-feira (15), dois homens suspeitos de envolvimento no assassinato de Júlio César Santos das Chagas, de 34 anos, morto a tiros no estacionamento do Shopping Ponta Negra, na zona oeste de Manaus. Os presos foram identificados como Eduardo Fernandes Torres e Matheus Marreiros de Lima. Um terceiro suspeito, Ronaldo Davi Nascimento Mendes, segue foragido.
De acordo com as investigações, o crime foi executado com o apoio de uma facção criminosa que atuava na capital. Câmeras de segurança registraram o momento em que Júlio César é abordado por um dos suspeitos logo após sair do carro. O criminoso corre em sua direção e dispara diversas vezes, enquanto dezenas de pessoas tentavam se proteger.
Mesmo ferido, Júlio César tentou fugir em direção à entrada do shopping em busca de ajuda, mas caiu logo em seguida. Ele chegou a ser socorrido e levado para uma unidade de saúde, mas não resistiu aos ferimentos. O ataque causou pânico entre clientes e funcionários do centro comercial.
A operação que resultou nas prisões foi batizada de “Thrasos”, palavra grega que significa “ousadia”. Segundo a polícia, o nome faz referência à forma como os criminosos agiram: em plena luz do dia e em um local de grande movimento. O delegado Ricardo Cunha, titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), afirmou que o crime foi minuciosamente planejado e executado com extrema frieza.
“Foi um trabalho árduo e rápido, principalmente pela complexidade do caso e pela grande repercussão que teve. O uso da tecnologia do sistema Paredão foi essencial para identificar os veículos e rastrear os envolvidos”, explicou o delegado.
As imagens de câmeras de segurança também mostram que o atirador contou com o apoio de um comparsa que pilotava uma motocicleta sem placa, usada para facilitar a fuga. A dupla fugiu em alta velocidade logo após o ataque, mas foi rastreada com a ajuda do sistema de monitoramento urbano.
Segundo a polícia, Júlio César já vinha recebendo ameaças de morte de membros de uma facção criminosa em razão de desentendimentos antigos. Ele possuía passagens por tráfico de drogas e havia cumprido pena na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), de onde saiu em liberdade em 2019.
O delegado Ricardo Cunha destacou que o crime teve motivação ligada a disputas internas de facções. “As provas indicam que a vítima estava marcada para morrer por conta de uma série de conflitos anteriores. Os autores demonstraram alto grau de planejamento e coordenação”, afirmou.
A administração do Shopping Ponta Negra divulgou nota classificando o caso como uma “ocorrência de caráter isolado” e garantiu total colaboração com as investigações. No dia do crime, o centro comercial encerrou as atividades mais cedo por motivos de segurança.