Economia

Plataformas digitais empregaram 1,7 milhão de brasileiros em 2024, aponta IBGE

Trabalhadores por aplicativo tiveram renda acima da média, mas com jornada mais longa.

18 de Outubro de 2025
Foto: Rowan Freeman / Unsplash

O trabalho mediado por aplicativos se consolidou como uma das principais fontes de renda para milhões de brasileiros em 2024. Segundo dados divulgados na última quinta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 1,7 milhão de pessoas tiveram as plataformas digitais como principal meio de trabalho no terceiro trimestre do ano passado, o equivalente a 1,9% dos trabalhadores do setor privado.

O número representa um crescimento expressivo em relação a 2022, quando 1,3 milhão de pessoas (1,5% do total) atuavam em atividades plataformizadas. O levantamento integra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), elaborada em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Ministério Público do Trabalho (MPT). As estatísticas são classificadas como experimentais e ainda estão em fase de avaliação.

Transporte particular lidera entre os aplicativos

O IBGE identificou quatro tipos principais de plataformas utilizadas como fonte de renda. Em 2024, 53,1% (878 mil pessoas) trabalhavam com aplicativos de transporte particular de passageiros (exceto táxi), seguidos por 29,3% (485 mil) em aplicativos de entrega de comida e produtos, 17,8% (294 mil) em plataformas de serviços gerais ou profissionais e 13,8% (228 mil) em aplicativos voltados para taxistas.

Somando os que atuam no transporte de passageiros, incluindo táxis, o total chega a 964 mil pessoas, o que corresponde a 58,3% dos trabalhadores plataformizados no país. Entre 2022 e 2024, todas as categorias apresentaram crescimento, com destaque para as plataformas de serviços profissionais, que aumentaram 52,1% no período.

Os aplicativos de transporte particular também cresceram de forma significativa, com alta de 29,2%, enquanto os de entrega tiveram avanço mais modesto, de 8,9%.

Perfil dos trabalhadores

O estudo mostra que os homens predominam nesse tipo de trabalho, representando 83,9% dos ocupados, enquanto as mulheres são 16,1%. Em relação à idade, 47,3% têm entre 25 e 39 anos, e 59,3% possuem ensino médio completo ou superior incompleto.

Trabalhadores com nível superior completo correspondem a 16,6%, e aqueles sem instrução ou com fundamental incompleto somam 9,3%. Quanto à cor ou raça, 45,1% se declaram brancos, 12,7% pretos e 41,1% pardos, revelando diversidade na composição do grupo.

Renda e jornada de trabalho

De acordo com o IBGE, os trabalhadores por aplicativo receberam em média R$ 2.996 por mês em 2024, 4,2% acima da renda média dos ocupados no setor privado (R$ 2.875). No entanto, essa diferença está diretamente ligada à carga horária mais extensa: os plataformizados trabalham, em média, 44,8 horas por semana, cerca de 5,5 horas a mais que os demais trabalhadores, cuja média é de 39,3 horas.

Na comparação por hora trabalhada, o rendimento é menor: R$ 15,40 por hora, valor 8,3% inferior aos R$ 16,80 dos não plataformizados. O crescimento da renda dos trabalhadores de aplicativo também foi mais tímido, apenas 1,2% entre 2022 e 2024, frente a 6,2% entre os que não dependem de plataformas digitais.

Em 2022, a diferença de renda era ainda maior: os trabalhadores por aplicativo ganhavam 9,4% a mais que os demais. Entre os menos escolarizados, a vantagem permanece, eles recebem mais de 40% acima dos que não trabalham por aplicativos. Já entre os que possuem ensino superior completo, a situação se inverte: os plataformizados ganham 29,8% a menos.

Diferenças explicadas pela ocupação

Segundo o analista de pesquisas do IBGE, Gustavo Geaquinto Fontes, a disparidade de rendimentos está diretamente relacionada ao tipo de atividade desempenhada. “Entre os trabalhadores por aplicativo com menor escolaridade, cerca de 80% atuam como condutores de motocicletas ou automóveis”, explicou.

Entre os não plataformizados de perfil semelhante, as ocupações mais comuns são elementares, ou seja, de baixa qualificação, abrangendo entre um quarto e um terço dos trabalhadores. Fontes destaca ainda que a carga horária maior e a natureza intensiva das atividades explicam boa parte das diferenças salariais observadas.

O estudo do IBGE reforça que o setor de plataformas digitais continua em expansão, consolidando-se como uma importante alternativa de renda, mas também evidenciando desafios ligados à jornada exaustiva, à instabilidade e à desigualdade de rendimentos.

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