Antonio Carlos Rodrigues chamou sanção a Moraes de absurda e irritou bancada
O Partido Liberal (PL) decidiu expulsar o deputado federal Antonio Carlos Rodrigues, eleito por São Paulo, após ele defender o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e criticar o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A decisão foi confirmada nesta semana pelo presidente da sigla, Valdemar Costa Neto.
A expulsão ocorreu depois que o parlamentar concedeu entrevista ao portal Metrópoles, na qual classificou como “absurda” a aplicação da chamada Lei Magnitsky contra Moraes. A norma internacional prevê sanções a autoridades estrangeiras acusadas de violar direitos humanos. Segundo Rodrigues, Trump deveria "cuidar do próprio país" e "não se meter com o Brasil".
A declaração repercutiu negativamente entre os integrantes da legenda. De acordo com Valdemar Costa Neto, a pressão da bancada foi decisiva para a expulsão. “A pressão da nossa bancada foi muito grande. Nossos parlamentares entendem que atacar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é uma ignorância sem tamanho”, afirmou o dirigente em nota oficial.
Costa Neto ainda elogiou o presidente norte-americano, classificando-o como “o presidente mais forte do mundo”. Ele defendeu que o Brasil precisa de diplomacia e diálogo, criticando o que chamou de populismo barato, que segundo ele, “só atrapalha o desenvolvimento da nossa nação”.
Procurado pela reportagem do site UOL, Antonio Carlos Rodrigues não respondeu aos questionamentos sobre sua expulsão. O parlamentar, no entanto, já vinha adotando um tom crítico ao bolsonarismo dentro do partido, o que ampliou o isolamento interno em sua atuação parlamentar.
Na semana anterior, em entrevista ao UOL, Rodrigues chegou a alfinetar o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), afirmando que o parlamentar precisava ser “menos filho e mais parlamentar”, em referência ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Além das críticas recentes, Antonio Carlos Rodrigues já ocupou cargos importantes na política nacional. Ele foi ministro dos Transportes durante o segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), experiência que consolidou sua trajetória como figura conhecida nos bastidores de Brasília.
O deputado também se posicionou contra o projeto de anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. Segundo ele, a proposta apresenta inconsistências e precisa passar pelas comissões do Congresso Nacional, sem tramitação em regime de urgência, como defendem aliados do bolsonarismo.