Política

PGR pede ao STF que limite ampliação do foro privilegiado para parlamentares

Gonet defende que mudança não alcance ações penais já em fase final.

08 de Agosto de 2025
Foto: Reprodução

A Procuradoria-Geral da República (PGR) protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um recurso para restringir os efeitos da decisão que ampliou o foro privilegiado de deputados federais e senadores. Em março, a Corte estabeleceu que processos contra parlamentares podem permanecer no STF mesmo após o fim do mandato, desde que o crime tenha sido cometido durante o exercício da função — regra que vale para casos de renúncia, cassação ou não reeleição.

Na manifestação enviada à Corte na última terça-feira (5), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu que a medida não seja aplicada de forma automática e irrestrita. Segundo ele, ações penais que já estão em fase final devem permanecer nas instâncias onde tramitam, evitando atrasos e garantindo o devido processo legal.

“As persecuções penais que já se encontravam com a instrução encerrada, com a abertura de prazo para apresentação de alegações finais, deverão permanecer sob a jurisdição dos órgãos que lhes vinham conferindo regular andamento”, argumentou Gonet.

O procurador também alertou que a decisão do STF pode representar um “retrocesso investigativo” ao transferir processos avançados para a instância superior.

O debate sobre o foro privilegiado voltou ao centro das discussões nesta semana, após aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro articularem mudanças nas regras de julgamento do STF. O objetivo seria retirar da Corte o processo que apura a suposta trama golpista e, com isso, impedir o julgamento do ex-chefe do Executivo.

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