Levantamento será encaminhado ao plenário do Supremo, que decidirá quais informações justificam investigação e quais deverão ser arquivadas.
A Polícia Federal (PF) fará uma análise criteriosa das citações a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em materiais relacionados ao caso Master. A medida segue uma orientação do presidente da Corte, ministro Edson Fachin, e busca identificar quais informações apresentam elementos jurídicos suficientes para justificar investigações. O procedimento também pretende dar um encaminhamento institucional ao caso, que tem provocado tensões dentro do Judiciário.
A análise deverá distinguir referências feitas por terceiros de informações sustentadas por elementos concretos. A orientação de Fachin é que a Polícia Federal produza um relatório contextualizado, sem juízo de valor, reunindo dados que permitam avaliar a consistência jurídica das citações envolvendo integrantes do Supremo.
Entre os nomes que estão na mira da PF está Ciro Soares, lobista que atuava para Daniel Vorcaro. Ele poderá ser investigado por suspeitas de tráfico de influência e por supostamente comercializar acesso a ministros do STF. A apuração deverá avaliar se existem indícios suficientes para sustentar uma investigação formal sobre essas possíveis práticas.
Após a conclusão da triagem, caberá ao plenário do Supremo Tribunal Federal decidir quais informações deverão ser investigadas e quais poderão ser arquivadas. A intenção é estabelecer critérios jurídicos para o tratamento do material, evitando que simples menções a autoridades sejam consideradas provas de irregularidades.
O encaminhamento também ocorre em meio à preocupação de setores do STF com a chegada da nova composição do Senado Federal. A avaliação interna é de que a ausência de uma resposta institucional poderá ampliar a pressão política sobre a Corte, especialmente diante da possibilidade de o Legislativo tomar iniciativas relacionadas às denúncias.
Apesar da movimentação, a análise não deverá ser concluída antes do segundo turno das eleições de 2026. Até o momento, não existe prazo definido para a finalização do relatório ou para a deliberação dos ministros sobre os possíveis desdobramentos do caso.