Política

PF investiga pastor Silas Malafaia por obstrução em inquérito do golpe

Religioso foi incluído na apuração que já envolve Jair Bolsonaro e aliados

15 de Agosto de 2025
Foto: Divulgação

A Polícia Federal (PF) incluiu o pastor Silas Malafaia, um dos mais influentes líderes religiosos do país, no inquérito que investiga a tentativa de golpe de Estado. O processo, aberto em maio deste ano, já envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro e o comentarista Paulo Figueiredo.

De acordo com informações do Supremo Tribunal Federal (STF), a investigação apura ações contra autoridades, agentes públicos e contra o próprio STF, além de iniciativas para buscar sanções internacionais contra o Brasil. Segundo o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, essas condutas teriam como objetivo atrapalhar o andamento do processo em que Bolsonaro é réu pela tentativa de golpe.

Os crimes investigados no inquérito incluem coação no curso do processo, obstrução de investigação de organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A inclusão de Malafaia no caso ocorre após ele ter organizado, no último dia 3 de agosto, um ato de apoio a Bolsonaro.

Durante o evento, Bolsonaro participou por meio de um vídeo transmitido em redes sociais de terceiros. A aparição foi considerada descumprimento de medidas judiciais, resultando na prisão domiciliar do ex-presidente no dia 4 de agosto.

Na última quinta-feira (14), Malafaia voltou a criticar duramente o ministro Alexandre de Moraes. Em vídeo publicado nas redes sociais, o pastor afirmou que o magistrado deveria sofrer impeachment, ser julgado e preso, reforçando ataques já feitos anteriormente à atuação do relator do caso.

Em áudio enviado à reportagem, Silas Malafaia disse desconhecer qualquer investigação contra ele e afirmou não ter recebido notificações da PF. “Isso que você está falando pra mim é uma novidade incrível (...) Por acaso eu tenho algum acesso à autoridade americana?”, questionou.

O pastor também acusou o ministro Moraes de perseguição e de enfraquecer a democracia no país. “Ou isso é mais uma prova inequívoca de que o Estado democrático brasileiro está sendo jogado na lata do lixo, comandado pelo ditador da toga Alexandre de Moraes, que promove perseguição a qualquer um que fale? Que democracia é essa, gente?”, declarou.

A PF ainda não se manifestou oficialmente sobre a inclusão de Malafaia no inquérito. O caso segue em sigilo no Supremo Tribunal Federal.

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