Interrupções no abastecimento elevaram algumas cotações para perto de US$ 110 por barril.
Os preços do petróleo no Oriente Médio, na Europa e na África dispararam nesta semana, alcançando os maiores níveis dos últimos dois meses. Algumas cargas se aproximaram de US$ 110 por barril nesta sexta-feira (24), diante das interrupções no abastecimento provocadas pelos conflitos no Irã e na Ucrânia. O cenário levou compradores a buscar fornecedores alternativos para garantir o abastecimento.
O petróleo Brent, referência internacional utilizada para definir o preço de mais de 60% das cargas físicas negociadas no mundo, chegou a US$ 105,70 por barril na quinta-feira (23). O valor foi o maior registrado desde o fim de maio e superou a marca de US$ 100 pela primeira vez desde o início de junho.
A alta também impulsionou o petróleo Forties, produzido no Mar do Norte e cotado com base no Brent. Nesta sexta-feira, o barril foi negociado a US$ 108,77.
No Oriente Médio, os houthis do Iêmen, grupo alinhado ao Irã, atacaram petroleiros no Mar Vermelho durante a semana. A situação obrigou alguns carregamentos sauditas a mudar de rota e contornar o continente africano, aumentando o tempo de viagem e os custos de transporte.
A instabilidade aumentou após o colapso de um acordo preliminar de paz entre os Estados Unidos e o Irã. Também foram registradas novas interrupções nas exportações pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.
“As questões relacionadas à oferta estão mais uma vez no centro das atenções”, disse Tamas Varga, corretor de petróleo da PVM.
A guerra na Ucrânia também afetou o mercado. O Cazaquistão informou que reduziu a produção depois que supostos ataques de drones ucranianos provocaram o fechamento do principal terminal de exportação do petróleo CPC Blend, localizado no Mar Negro.
Segundo uma fonte ouvida pela Reuters, a produção cazaque caiu pela metade, chegando a aproximadamente 406 mil barris por dia. A redução ampliou as preocupações sobre a disponibilidade de petróleo no mercado internacional.
Diante do aumento dos riscos, a Saudi Aramco ofereceu cargas adicionais para embarque no porto egípcio de Sidi Kerir, no Mediterrâneo. Refinarias asiáticas passaram a procurar carregamentos e navios que saiam da região.
A SK Energy, maior refinaria da Coreia do Sul, fretou um superpetroleiro para transportar 2 milhões de barris de Sidi Kerir até Ulsan, entre os dias 18 e 20 de agosto. O frete foi fechado em US$ 18,5 milhões, segundo fontes do setor marítimo.
“Os compradores estão agora correndo para garantir o abastecimento, com refinarias japonesas e sul-coreanas entrando no mercado para adquirir cargas”, afirmou um operador de uma refinaria. Segundo ele, empresas do Norte da Ásia também estão buscando petróleo produzido na Bacia do Atlântico.
A manutenção dos conflitos e das restrições nas rotas marítimas pode continuar pressionando os preços internacionais. O movimento também pode elevar os custos de transporte, produção industrial e combustíveis em diferentes países.