Economia

Petrobras realiza primeira importação de gás natural da Argentina

Operação inédita envolveu 100 mil m³ de gás de Vaca Muerta, transportados via Bolívia.

06 de Outubro de 2025
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil / Arquivo

A Petrobras anunciou, nesta segunda-feira (6), a primeira importação de gás natural proveniente do reservatório de Vaca Muerta, localizado na Bacia de Neuquén, no norte da Patagônia, Argentina. O combustível foi transportado pelos gasodutos argentinos até a Bolívia e, de lá, trazido ao Brasil, utilizando a infraestrutura já operada pela estatal brasileira.

A operação, concluída na última sexta-feira (3), movimentou 100 mil metros cúbicos de gás natural. O volume foi classificado pela empresa como um teste comercial e operacional, representando menos de 5% da produção disponibilizada ao mercado nacional.

O fornecimento faz parte de um acordo entre a subsidiária Petrobras Operaciones S.A. (Posa), na Argentina, e a Gas Bridge Comercializadora, vinculada à Pluspetrol, multinacional de origem argentina. A Petrobras Operaciones detém 33,6% de participação não-operada no campo de Río Neuquén, situado entre as províncias de Neuquén e Río Negro.

Marco de integração energética

Segundo a estatal, o contrato permite importar até 2 milhões de metros cúbicos de gás natural na modalidade interruptível, ou seja, conforme a disponibilidade e necessidade comercial.

“Novas operações de importação ocorrerão conforme as empresas identifiquem oportunidades comerciais”, informou a Petrobras, em nota.

A diretora de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, Angélica Laureano, classificou a operação como um “marco relevante” para a integração energética entre Brasil e Argentina.

“Essa solução logística e comercial abre uma nova possibilidade para importação de gás natural pelo Brasil, refletindo o compromisso da Petrobras com o aumento da oferta e com o desenvolvimento sustentável do mercado de gás natural”, declarou.

Expansão da oferta e redução de custos

A iniciativa integra a estratégia da Petrobras para ampliar a oferta de gás natural no mercado interno e reduzir custos, uma das principais demandas do setor industrial brasileiro, que há anos reclama do alto preço do combustível.

Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado em abril, apontou que o gás natural usado pela indústria brasileira custa, em média, dez vezes mais que o americano e o dobro do europeu.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, já havia afirmado que a estatal busca escoar mais gás do pré-sal para aumentar a competitividade do insumo e diminuir os custos de produção industrial.

Produção e novos investimentos no pré-sal

Na última sexta-feira, a Petrobras também anunciou o início da contratação da empresa responsável pela construção da plataforma P-91, que será a 12ª unidade de produção no campo de Búzios, na Bacia de Santos.

O investimento reforça a estratégia da estatal de transformar Búzios no maior campo produtor de petróleo e gás do país, superando Tupi. A P-91 atuará como um hub de escoamento de gás, com capacidade para receber e distribuir o combustível produzido por outras plataformas da região.

O gás escoado será direcionado ao Complexo de Energias Boaventura (antigo Comperj), em Itaboraí (RJ), por meio do gasoduto Rota 3, ampliando a infraestrutura de transporte e o suprimento energético nacional.

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