Embora priorize agora o reflorestamento, a Petrobras afirma que não descarta o modelo de desmatamento evitado
A Petrobras mudou sua estratégia no mercado de créditos de carbono após a primeira experiência com um contrato sigiloso firmado em uma área com desmatamento na Amazônia. A estatal adquiriu 175 mil créditos do projeto Envira Amazônia, no Acre, para lançar uma gasolina “carbono neutro”.
O contrato previa a preservação de 570 hectares de floresta por meio do mecanismo de desmatamento evitado. No entanto, o acordo enfrentou críticas por falhas metodológicas e questionamentos sobre a propriedade da terra e a veracidade da base de dados usada para calcular os créditos.
Apesar de considerar que o contrato não está mais em vigência, a Petrobras nunca revelou os valores pagos na transação, que teve caráter confidencial. A Controladoria-Geral da União (CGU) validou a decisão da empresa de não divulgar o documento, mesmo após pedidos via Lei de Acesso à Informação.
Reportagens da Folha de São Paulo revelaram que houve desmatamento contínuo na área do projeto, especialmente após o quinto ano de sua implementação, além da presença de comunidades tradicionais na região. Esses fatores colocaram em xeque a efetividade da iniciativa.
Diante desse cenário, a Petrobras anunciou uma nova abordagem: a geração de créditos por meio da restauração de áreas degradadas da floresta. A mudança foi oficializada com o lançamento do programa ProFloresta+, em parceria com o BNDES, no último dia 31 de março.
O ProFloresta+ prevê a recuperação de até 50 mil hectares na Amazônia e a captura de 15 milhões de toneladas de CO2. A Petrobras garantirá a compra de créditos gerados pelos projetos aprovados, com contratos de longo prazo e preços definidos via licitação.
O primeiro edital do programa prevê a aquisição de até 5 milhões de créditos de carbono. A minuta do edital está em consulta pública, e o BNDES será responsável por financiar empresas interessadas em executar os projetos de reflorestamento.
Embora priorize agora o reflorestamento, a Petrobras afirma que não descarta o modelo de desmatamento evitado. Em nota, destacou que as iniciativas são complementares e que a atuação da empresa seguirá os melhores critérios internacionais de certificação de carbono.