Amazonas

Pesquisadores revelam histórias invisíveis de Povos da Amazônia

Projeto utiliza tecnologia e saberes tradicionais para mapear e proteger heranças culturais milenares

12 de Janeiro de 2025
Foto: Guilherme Gomes/Divulção

Escondidos sob a densa vegetação da Amazônia por mais de 12 mil anos, vestígios dos povos originários começam a ser revelados por meio da colaboração entre arqueólogos, povos indígenas e quilombolas, além da tecnologia Light Detection and Ranging (Lidar). Esse sensor remoto, colocado em pequenos aviões que sobrevoam a floresta, emite lasers para mapear sítios arqueológicos sem a necessidade de intervenção física no ambiente. 

O projeto Amazônia Revelada: Mapeando Legados Culturais tem como objetivo destacar a importância dessas contribuições milenares para a floresta e proteger as áreas mais ameaçadas. Segundo o arqueólogo Eduardo Neves, coordenador do projeto, "queremos fazer os registros e promover uma camada adicional de proteção para essas áreas ameaçadas", destacando a importância dos saberes indígenas, quilombolas e ribeirinhos na preservação da Amazônia. 

Neves, que há mais de 30 anos trabalha na região, reflete sobre o desprezo histórico dado às origens da Amazônia. “A Amazônia que a gente conhece hoje em dia só existe por causa da contribuição dos povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos que formaram essa região”, afirma, criticando a visão colonial que distorceu a história da região, favorecendo projetos de desmatamento e ocupação sem controle. 

Além das descobertas arqueológicas, o projeto também tem como foco a valorização do patrimônio linguístico. A linguista Altaci Kokama, uma das defensoras da preservação das línguas indígenas, alerta para o risco de extinção de muitos idiomas e para a importância desses saberes na preservação da biodiversidade. "Preservar as línguas indígenas é preservar os saberes que estão contribuindo para salvar nossa biodiversidade", afirma Kokama, que também luta pelo fortalecimento das línguas e culturas indígenas. 

Outro ponto fundamental destacado no trabalho de preservação da Amazônia é a contribuição dos povos quilombolas, como exemplificado pelo antropólogo e quilombola Davi Pereira. Ele destaca a invisibilidade histórica da presença negra na Amazônia, afirmando que a floresta também é um lugar de ancestralidade e resistência para os descendentes de africanos. Pereira utiliza a cartografia social e política para defender os direitos territoriais das comunidades quilombolas, como na luta contra a base espacial de Alcântara, no Maranhão. 

Para Pereira, a solução para a crise ambiental da Amazônia está na liderança dos povos tradicionais, que mantêm uma conexão profunda com a floresta e seus recursos. "Os povos originários e os quilombolas são a solução contra a crise climática. A velha forma ocidental de fazer as coisas está nos matando", conclui. 

Essa reportagem faz parte da série Em Defesa da Amazônia, que antecipa debates importantes para a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), marcada para novembro deste ano em Belém.

 

Com informações da Agencia Brasil.

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