Ciência e Tecnologia

Pesquisa sobre diversidade de peixes no baixo Rio Negro é apoiada pela Fapeam

Projeto com foco em peixes miniaturas investiga as influências geológicas no Rio Negro

24 de Marco de 2025
Foto: Divulgação / Arquivo pessoal do pesquisador Marcelo Salles Rocha

A pesquisa científica sobre a diversidade de peixes miniaturas no Baixo Rio Negro, que investiga como os processos geológicos ao longo dos anos influenciaram as espécies de peixes no local, está sendo conduzida no município de Iranduba, a 27 quilômetros de Manaus. O estudo, amparado pelo Governo do Amazonas através da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), tem como objetivo entender como as mudanças no Rio Negro impactaram a variedade de peixes miniaturas, aquelas que não ultrapassam 2,5 cm de comprimento. 

O estudo, coordenado pelo doutor Marcelo Salles Rocha, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), encontrou diferenças significativas entre as espécies de peixes que habitam as depressões tectônicas no Rio Negro e as que vivem em outras áreas do rio. As depressões tectônicas, formadas por movimentos da terra, oferecem um ambiente propício para o isolamento dessas espécies, permitindo que evoluam de forma distinta ao longo do tempo. 

A pesquisa utilizou dados de biologia molecular e analisou a evolução biológica e geológica de sedimentação nas depressões tectônicas localizadas nas regiões do Paraná do Ariaú, Cacau Pirêra e Cachoeira do Castanho, em Iranduba. Além disso, a análise de depósitos de barras fluviais associadas aos rios Negro e Solimões revelou como essas áreas geológicas e ambientais afetam as espécies locais. 

Uma das descobertas mais significativas foi a diferença entre os peixes encontrados nas depressões tectônicas e os peixes nos igarapés do Tupé e Tarumã-Mirim, que se desenvolveram em áreas geológicas mais antigas, com substrato arenoso e águas pretas com pH baixo. Esse isolamento geográfico das espécies devido à baixa mobilidade das miniaturas foi um fator chave para a separação e possível evolução de novas espécies. 

Foto: Divulgação

O estudo também abordou o impacto ambiental causado pela extração de sedimentos argilosos nas olarias locais, que utilizam esses materiais para fabricar cerâmicas. A "lavra a céu aberto" nas áreas de extração gera degradação ambiental, o que pode afetar negativamente a biodiversidade local. 

Para o coordenador do projeto, o apoio da Fapeam foi crucial, principalmente pela infraestrutura de laboratórios e equipamentos de pesquisa necessários para a realização do estudo. A Fapeam tem incentivado a inovação científica e a capacitação de jovens pesquisadores, facilitando a realização de projetos como este, com financiamento para equipamentos e análises moleculares. 

Além disso, o Programa de Infraestrutura para Jovens Pesquisadores - Programa Primeiro Projetos (PPP), que apoia a aquisição de novos equipamentos e a ampliação de infraestruturas de pesquisa, tem sido fundamental para impulsionar a pesquisa científica no estado. 

Mais informações sobre esse e outros estudos podem ser encontradas no Portfólio de Investimentos e Resultados de Pesquisas do Amazonas, organizado pela Fapeam, com detalhes de 50 pesquisas já finalizadas. Para acessar o portfólio, clique aqui. 

 
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