Amazonas

Pesquisa revela impactos e mudanças na alimentação de jovens ribeirinhos da Amazônia

Conduzida por uma equipe multidisciplinar, a pesquisa investiga as causas da chamada transição alimentar nessas populações.

30 de Junho de 2025
Foto: Reprodução

Um estudo inédito realizado nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, no Amazonas, está jogando luz sobre uma questão crucial para as comunidades ribeirinhas da região: por que e como os hábitos alimentares tradicionais estão mudando?

Conduzida por uma equipe multidisciplinar da Universidade de Lisboa, Universidade Federal do Amazonas e Instituto Mamirauá, a pesquisa investiga as causas da chamada transição alimentar nessas populações. A iniciativa é liderada pela doutoranda Daiane Soares Xavier da Rosa, pesquisadora do Instituto Mamirauá e integrante do Grupo de Pesquisa em Territorialidades e Governança Socioambiental na Amazônia.

Os dados preliminares apontam que a dieta ribeirinha segue ancorada no consumo de pescado e farinha de mandioca, com a inclusão de alimentos frescos ou minimamente processados comprados em supermercados locais. No entanto, o estudo mostra mudanças importantes entre gerações: jovens e adolescentes consomem mais produtos ultraprocessados do que os adultos — um comportamento associado, em parte, à influência da merenda escolar.

Segundo os pesquisadores, a alimentação oferecida nas escolas da região tem apresentado uma alta incidência de alimentos industrializados, o que introduz hábitos distintos dos praticados nas famílias. Para Daiane, esse é um ponto crítico: “A escola passa a ser um vetor de mudança alimentar, especialmente entre os mais jovens”, alerta.

O objetivo final da pesquisa é criar um índice de diversidade biocultural alimentar, capaz de medir o grau de resiliência das comunidades diante das transformações em seus hábitos alimentares. A ferramenta poderá auxiliar tanto pesquisadores quanto formuladores de políticas públicas voltadas à segurança alimentar e à saúde em territórios tradicionais.

Com uma abordagem participativa e integrada à realidade local, o estudo busca ampliar o debate global sobre os impactos da transição alimentar em comunidades tradicionais — não apenas na Amazônia, mas em regiões similares ao redor do mundo.

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