Amazonas

Pesquisa busca as origens da domesticação de plantas na bacia do alto rio Madeira

Estudo incluiu espécies como mandioca, pupunha, pimenta, urucum, biribá e piquiá

05 de Dezembro de 2024
Foto: Acervo de Charles Roland Clement.

Pesquisadores do Brasil e do Reino Unido realizaram um estudo pioneiro sobre a domesticação de cultivos amazônicos, como mandioca, pupunha, pimenta, urucum, biribá e piquiá, além de documentar a modificação da paisagem florestal na bacia do rio Madeira, abrangendo as regiões do Amazonas e Rondônia. O projeto foi financiado pelo Programa Fundo Newton – RCUK, por meio do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e o Conselho de Pesquisa do Reino Unido (RCUK). 

Intitulado “As origens da domesticação de plantas na bacia do alto rio Madeira”, o estudo foi coordenado por Charles Roland Clement, doutor em Horticultura e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Clement explicou que o processo de domesticação de plantas começou com práticas simples, como proteção, cuidado, redução da concorrência, dispersão de sementes e seleção feita por humanos. 

Antes dessa pesquisa, já se sabia que a mandioca e a pupunha haviam sido domesticadas na região do alto rio Madeira. Também era provável que outros cultivos tivessem origem semelhante, já que as terras pretas mais antigas da Amazônia indicam ocupações humanas duradouras. Enquanto espécies como pupunha, urucum, biribá e piquiá parecem ter sido domesticadas nas florestas, a mandioca teria sido cultivada nos assentamentos. 

Resultados e Análises 

As análises genéticas realizadas durante o projeto revelaram detalhes importantes. O biribá foi domesticado no oeste da Amazônia, o piquiá no leste, enquanto o urucum teve sua origem confirmada no alto Madeira. Essas análises foram conduzidas por doutorandos brasileiros, como Ariel Kuma, que estudou o biribá, e Rubana Palhares Alves, responsável pelo estudo sobre o piquiá, ambos pelo Inpa. Já Gabriel Dequigiovanni analisou o urucum na USP. 

Outro estudo, conduzido por Maria Julia Ferreira, analisou a composição florística de florestas próximas a sítios arqueológicos e comunidades tradicionais em Humaitá. Ela descobriu que essas florestas eram mais ricas em espécies úteis, especialmente frutíferas, em comparação com áreas distantes. Comunitários da região participaram do levantamento e aprenderam técnicas de inventário florestal para conhecer melhor seus recursos naturais. 

Os resultados destacam que plantas silvestres podem oferecer vantagens importantes frente às mudanças climáticas, tornando possível introduzir essas características em cultivos modernos ou até mesmo promover uma nova domesticação baseada em critérios diferentes dos utilizados pelos povos indígenas no passado. 

Sobre o Programa 

O estudo foi apoiado pelo Programa Fundo Newton – RCUK – Confap, que busca fomentar colaborações sustentáveis entre pesquisadores brasileiros e britânicos em áreas como saúde, biodiversidade, energia, meio ambiente, entre outras. 

Portfólio de Pesquisas 

Essa pesquisa faz parte do Portfólio de Investimentos e Resultados de Pesquisas do Amazonas – Vol. 04, que reúne 50 estudos realizados com apoio do Governo do Estado. O material está disponível para consulta no site da Fapeam: Portfólio de Pesquisas. 

 

 

Leia Mais
TV Em Pauta

COPYRIGHT © 2024-2025. AMZ EM PAUTA S.A - TODOS OS DIREIROS RESERVADOS.