Justiça

Perícia aponta que sistema do Santa Júlia não falhou no caso Benício, diz delegado

Laudo indica que prescrição pode ser alterada manualmente e não muda via sozinha.

23 de Janeiro de 2026
Foto: Reprodução / Redes Sociais

O delegado Marcelo Martins, do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), afirmou que a perícia no sistema eletrônico de prescrição médica do Hospital Santa Júlia não encontrou falhas técnicas, contrariando a versão apresentada pela defesa da médica Juliana Brasil no inquérito que apura a morte do menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, ocorrida em novembro de 2025, em Manaus. “O laudo concluiu que não tem nenhum defeito no sistema e que a via de administração é selecionada pelo médico, não há troca automática de via de administração”, declarou.

A conclusão é baseada em laudo do Instituto de Criminalística finalizado na quinta-feira (22), que analisou o sistema Tasy EMR usado pelo hospital. Em dezembro, a defesa sustentou que a prescrição de adrenalina intravenosa registrada no prontuário teria sido causada por falha da plataforma.

Segundo a perícia, ao selecionar o medicamento “Adrenalina (Epinefrina) 1 mg/ml inj.”, o sistema preenche automaticamente campos como via, dose e unidade, sugerindo a via intravenosa como padrão. No entanto, o laudo afirma que o médico pode modificar manualmente a prescrição antes do envio à farmácia e que o sistema não altera a via sozinho.

Para testar o funcionamento, os peritos realizaram simulações com os mesmos parâmetros do atendimento da criança e conseguiram mudar a via de administração de intravenosa para inalatória sem falhas. O documento também aponta que a configuração padrão pode ser ajustada pela administração do hospital e que não houve registros de instabilidade, erros técnicos ou falhas de processamento no período analisado.

As análises ocorreram em cinco visitas técnicas entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, com coleta de logs, registros do banco de dados, capturas de tela e vídeos. A reportagem informou que procurou a defesa de Juliana Brasil após a conclusão do laudo.

Benício morreu em 22 de novembro de 2025, após dar entrada no hospital com tosse, segundo boletim de ocorrência. Após a aplicação de adrenalina, a criança apresentou reações imediatas, foi encaminhada à UTI, sofreu paradas cardiorrespiratórias e morreu. De acordo com o delegado, o laudo deve orientar as próximas diligências do inquérito, que apura possíveis responsabilidades no atendimento médico.

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