Greve iniciada por atraso salarial segue com operação parcial determinada pela Justiça do Trabalho.
A paralisação dos rodoviários entrou no terceiro dia consecutivo nesta quarta-feira (22), em Manaus, mantendo a circulação reduzida dos ônibus do transporte coletivo. Conforme determinação do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), a frota deve operar com 80% dos veículos nos horários de pico e 50% nos demais períodos. O movimento foi iniciado após o atraso no pagamento da primeira parcela dos salários da categoria.
A decisão da Justiça estabelece que 80% dos ônibus e trabalhadores permaneçam em atividade entre 6h e 9h e das 17h às 20h. Nos demais horários do dia, a operação mínima obrigatória é de 50% da frota. Durante a manhã desta quarta-feira, empresas como Eucatur e Global mantinham a circulação dentro do percentual determinado.
Na Zona Leste de Manaus, passageiros relataram que os ônibus circulavam normalmente durante o horário de pico, sem grandes impactos nos deslocamentos da manhã. No entanto, usuários afirmaram ter enfrentado dificuldades para retornar para casa nos dois primeiros dias da paralisação.
Segundo o Sindicato dos Rodoviários, a greve foi iniciada na segunda-feira (20) porque as empresas de transporte coletivo não realizaram o pagamento da primeira parcela dos salários dentro do prazo fixado pela Justiça. De acordo com o presidente da entidade, Givancir Oliveira, a paralisação foi mantida após o descumprimento dos prazos por parte das empresas.
No início deste mês, o TRT-11 concedeu uma liminar determinando que as empresas paguem 40% dos salários até o dia 20 de cada mês — ou no dia útil anterior quando a data coincidir com fim de semana ou feriado — e os 60% restantes até o quinto dia útil do mês seguinte.
Enquanto a paralisação continua, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) atribui parte das dificuldades financeiras a uma dívida relacionada ao Passe Livre Estudantil. Segundo a entidade, há R$ 90.184.740,19 em valores pendentes, sendo mais de R$ 44 milhões de responsabilidade do Governo do Amazonas e o restante da Prefeitura de Manaus.
Na terça-feira (21), o prefeito Renato Júnior afirmou que o município não possui débitos referentes ao transporte coletivo em 2026 e informou que cerca de R$ 284 milhões já foram repassados ao Sinetram neste ano. "A prefeitura não deve nada, nenhum real de 2026 ao transporte coletivo", declarou. Em seguida, o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) confirmou que não existem pendências deste ano, mas informou haver um passivo de R$ 150,4 milhões referente a exercícios anteriores, dos quais aproximadamente R$ 91 milhões seriam atribuídos ao Governo do Amazonas e R$ 59 milhões ao município.
Também na terça-feira, o vice-governador Serafim Corrêa contestou o valor da dívida apresentado pelo Sinetram. Segundo ele, o Estado reconhece apenas R$ 18 milhões referentes ao período de fevereiro a julho de 2026. "R$ 18 milhões, que é o valor que nós entendemos que é devido", afirmou. Horas depois, o vice-governador publicou o comprovante da transferência do valor ao sindicato e declarou: "Fizemos a nossa parte. Assunto encerrado".
O principal impasse entre o Governo do Amazonas e o Sinetram está na forma de cálculo do Passe Livre Estudantil. Enquanto o Estado defende o pagamento de R$ 2,50 por passagem, correspondente à meia-passagem estudantil, o sindicato das empresas sustenta que o repasse deve considerar a tarifa técnica, atualmente superior a R$ 8. Segundo Serafim Corrêa, "O que diz a decisão judicial? Que o preço a ser pago pelo governo do Estado é de R$ 2,50, que é a meia passagem. Só que o Sinetram entende que é o valor de R$ 8,00, que é a tarifa técnica". O impasse teve início em 2025, após o encerramento do convênio entre Governo do Amazonas e Prefeitura de Manaus que financiava o benefício aos estudantes.