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Papa Francisco deixa legado histórico de amor e defesa pela Amazônia viva

O Pontífice sonhava com uma Amazônia viva, justa, respeitada em sua biodiversidade e cultura

21 de Abril de 2025
Foto: Divulgação

A morte do Papa Francisco deixa uma marca profunda na história da Igreja, e especialmente, no coração da Amazônia. Desde o início de seu pontificado, em 2013, Jorge Mario Bergoglio se destacou como uma das vozes mais firmes na defesa da Casa Comum e dos povos originários da floresta.

Em seu primeiro discurso como pontífice, o então recém-eleito Papa já deixava claro o caminho que trilharia: a proteção da criação. Pedia ao mundo que fosse guardião da natureza e dos irmãos mais vulneráveis. “Não devemos ter medo da bondade, nem da ternura”, disse, comovendo milhões.

Ainda em 2013, durante a Jornada Mundial da Juventude no Brasil, Francisco fez um apelo direto: era preciso fortalecer a presença pastoral na Amazônia, com sacerdotes que compreendessem a cultura local. Sonhava com um clero indígena e com um “rosto amazônico” para a Igreja.

Seu compromisso tomou forma institucional em 2014, com a criação da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), um marco na articulação da Igreja com lideranças locais, movimentos sociais e entidades preocupadas com o destino da floresta e de seus povos.

Com a encíclica Laudato Si’, lançada em 2015, Francisco firmou-se como líder global da ecologia integral. Denunciou a exploração desenfreada dos recursos naturais e defendeu uma transformação urgente na forma como a humanidade se relaciona com a natureza e entre si.

Durante visitas ao Equador, Colômbia e Peru, o Papa escutou os povos indígenas, reconhecendo sua sabedoria e denunciando as ameaças aos seus territórios. “Nunca os povos originários amazônicos estiveram tão ameaçados como agora”, disse em Puerto Maldonado, em 2018.

Francisco não apenas escutava: agia. Em 2019, convocou o Sínodo para a Amazônia, reunindo bispos, indígenas e especialistas para refletir sobre novos caminhos de evangelização e proteção ambiental. Desse encontro nasceu a exortação apostólica Querida Amazônia, documento que emocionou o mundo com seus “quatro sonhos”.

O Papa sonhava com uma Amazônia viva, justa, respeitada em sua biodiversidade e cultura. Sonhava com uma Igreja encarnada no território, próxima dos pobres, com voz profética em defesa da vida. Seu amor pela floresta nunca foi protocolar: era visceral, poético, genuíno.

Como fruto do Sínodo, foi criada a Conferência Eclesial da Amazônia (Ceama), uma estrutura inédita, participativa, que reuniu bispos, religiosos, leigos e leigas. Um gesto concreto de Francisco para garantir que a Amazônia fosse prioridade permanente da Igreja.

Agora, com sua partida, o Papa Francisco deixa um legado imortal. Seu nome ecoará nos rios e nas matas, nas comunidades ribeirinhas e nos corações de quem luta pela justiça climática. A Amazônia perde um grande defensor, mas seu sonho, como ele mesmo disse, continua vivo.

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