Declarações do presidente dos EUA reacendem tensões globais e levantam alertas diplomáticos.
Após a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, no sábado (3), o presidente Donald Trump voltou a adotar um discurso expansionista e de forte viés geopolítico, reacendendo preocupações internacionais sobre possíveis novos focos de tensão. Ao comentar a ofensiva, Trump citou a Doutrina Monroe de 1823, defendendo o princípio de “América para os americanos”, que ele passou a chamar de “Doutrina Donroe”.
Questionado por jornalistas sobre a possibilidade de novas ações militares, Trump não confirmou planos concretos, mas indicou interesses estratégicos já manifestados em declarações anteriores. Entre os países e territórios mencionados ou envolvidos em declarações recentes estão Groenlândia, Cuba e Colômbia.
Groenlândia
A Groenlândia voltou ao centro do debate internacional desde o retorno de Trump à Casa Branca. O território autônomo, administrado pela Dinamarca, já abriga uma base militar norte-americana, a Base Espacial Pituffik, mas Trump tem defendido publicamente a anexação total da ilha.
O interesse dos Estados Unidos está relacionado à posição estratégica da Groenlândia em rotas marítimas internacionais, ao potencial de expansão da infraestrutura militar e à abundância de recursos naturais. Em 22 de dezembro de 2025, Trump anunciou a nomeação do governador da Louisiana, Jeff Landry, como enviado especial para a Groenlândia, citando razões de segurança nacional e exploração mineral.
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, rejeitou a ideia de anexação e afirmou que qualquer diálogo deve ocorrer com respeito ao direito internacional. Ele também alertou que uma tentativa de tomada do território colocaria os Estados Unidos em conflito direto com outro membro da OTAN, ameaçando a estabilidade da aliança.
Cuba
Cuba voltou a ser mencionada após a confirmação de que 32 oficiais cubanos morreram durante a operação militar dos EUA na Venezuela. O governo cubano mantinha relações próximas com o regime de Nicolás Maduro.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, defensor histórico da mudança de regime em Cuba, afirmou que integrantes do governo cubano deveriam se preocupar com as declarações de Trump. “Quando o presidente fala, você deve levá-lo a sério”, disse Rubio a jornalistas.
Apesar disso, Trump indicou que uma intervenção militar direta não seria necessária, afirmando que Cuba estaria “pronta para cair”. O país vive sob sanções norte-americanas desde o início da década de 1960, período da Guerra Fria, e o presidente sugeriu que o atual cenário interno poderia levar a mudanças sem ação armada.
Colômbia
A Colômbia também entrou no radar após declarações feitas por Trump poucas horas depois da operação na Venezuela. Em coletiva no dia 3, o presidente dos EUA alertou o presidente colombiano Gustavo Petro para “tomar cuidado” e o acusou de ligação com o narcotráfico, chamando-o de “um doente que gosta de produzir cocaína e vendê-la para os Estados Unidos”.
Petro reagiu nesta segunda-feira (5), afirmando que “pegaria em armas” diante de ameaças externas e voltou a negar qualquer envolvimento com o tráfico de drogas. A Colômbia é vizinha da Venezuela e possui reservas significativas de petróleo, além de ser grande produtora de ouro, prata, esmeraldas, platina e carvão.
As relações entre os dois governos já vinham se deteriorando desde o início de 2025, quando autoridades colombianas devolveram um avião com migrantes deportados dos EUA algemados, episódio que aprofundou a tensão diplomática entre Bogotá e Washington.