Potências europeias oferecem até seis meses de adiamento se Teerã cumprir exigências.
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) rejeitou, nesta sexta-feira (19), um projeto de resolução que suspenderia permanentemente as sanções impostas ao Irã. Mesmo assim, Teerã e as principais potências europeias ainda têm oito dias para tentar chegar a um acordo que permita adiar o reestabelecimento automático das punições.
A votação encerrou um processo de 30 dias iniciado por Reino Unido, França e Alemanha, em 28 de agosto, para reimpor as sanções da ONU, sob a acusação de que o Irã descumpriu o acordo nuclear de 2015 firmado para impedir o desenvolvimento de armas nucleares. O governo iraniano nega a intenção de produzir armamentos desse tipo.
Votação e posições
Entre os 15 integrantes do Conselho de Segurança, Rússia, China, Paquistão e Argélia votaram a favor da proposta, enquanto nove países foram contra e dois se abstiveram. A divisão expôs o impasse diplomático em meio à Assembleia Geral da ONU, que reúne líderes mundiais em Nova York, incluindo o presidente iraniano Masoud Pezeshkian.
“A porta para a diplomacia não está fechada, mas será o Irã, e não os adversários, que decidirá com quem e em que base se engajar”, declarou o embaixador iraniano Amir Saeid Iravani, após a sessão.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, confirmou que se reunirá com chanceleres europeus na próxima semana, à margem da Assembleia Geral, destacando que a votação “mostra que não há consenso no conselho”.
Condições para adiamento
Reino Unido, França e Alemanha ofereceram adiar as sanções por até seis meses, desde que o Irã restabeleça o acesso dos inspetores nucleares da ONU, esclareça dúvidas sobre seu estoque de urânio enriquecido e aceite negociar com os Estados Unidos.
“Sem que essas condições mais básicas sejam atendidas, não há um caminho claro para uma solução diplomática rápida”, afirmou a embaixadora britânica Barbara Woodward, ressaltando que os europeus continuam “prontos para novos compromissos”.
Caso não haja consenso até 27 de setembro, as sanções da ONU serão automaticamente retomadas.
Reações internacionais
A embaixadora interina dos EUA, Dorothy Shea, destacou que o voto contrário de Washington “não impede a possibilidade de uma diplomacia real” e que as sanções poderão ser “removidas posteriormente por meio da diplomacia”.
O embaixador francês Jerome Bonnafont reforçou que os ministros europeus já se reuniram duas vezes com o colega iraniano e que “a mão continua estendida para encontrar uma solução negociada”.
Enquanto isso, Rússia e China defendem uma prorrogação do acordo de 2015 e rejeitam a reimposição das sanções, alertando para riscos de “consequências catastróficas” e perda de anos de avanços diplomáticos, segundo o embaixador chinês Fu Cong.
O impasse mantém a tensão sobre o programa nuclear iraniano e indica que a próxima semana de negociações será decisiva para definir os rumos da crise.
Com informações da Reuters*