Líderes defenderam uma escolha inédita para suceder António Guterres, que deixa o cargo no fim de 2026; mulheres estão entre os principais nomes cotados.
A Organização das Nações Unidas (ONU) pode ter, pela primeira vez em sua história, uma mulher no cargo de secretária-geral. Durante a Assembleia Geral realizada em Nova York, líderes mundiais defenderam publicamente que a sucessão de António Guterres represente uma mudança histórica no comando da entidade.
Desde a criação do posto, em 1946, apenas homens ocuparam a função. O atual secretário-geral, o português António Guterres, é o nono homem a liderar a organização. Ele assumiu o cargo em 2017 e deixará a função em 31 de dezembro de 2026, encerrando seu segundo mandato.
Entre os chefes de Estado que defenderam uma mulher para o cargo está o presidente da República Dominicana, Luis Abinader. Em discurso, ele lembrou que nenhuma mulher comandou a ONU em mais de oito décadas e afirmou que o Conselho de Segurança e a Assembleia Geral devem considerar esse fator histórico no processo de escolha.
O presidente da Estônia, Alar Karis, também se posicionou a favor de uma mudança. Segundo ele, após 81 anos, chegou o momento de a organização ser liderada por uma mulher. Karis classificou a definição do próximo secretário-geral como uma das decisões mais importantes da ONU.
Entre os nomes femininos cotados está a costarriquenha Rebeca Grynspan, atual secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad). Também aparecem Carolyn Rodrigues-Birkett, representante permanente da Guiana na ONU, e as equatorianas Ivonne Baki e María Fernanda Espinosa Garcés.
Entre os homens citados na disputa estão o argentino Rafael Grossi, o ugandês Olara Otunnu e o senegalês Macky Sall. Em uma consulta recente realizada no Conselho de Segurança, Grynspan apareceu à frente dos demais nomes, enquanto Rodrigues-Birkett ficou na segunda colocação.
A escolha do próximo secretário-geral passa pelo Conselho de Segurança da ONU, formado por 15 países, que recomenda um nome à Assembleia Geral. O mandato começará em 1º de janeiro de 2027 e terá duração de cinco anos, com possibilidade de recondução. Caso uma mulher seja escolhida, será a primeira vez em oito décadas que a organização terá uma secretária-geral.