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ONU alerta para aumento alarmante da desnutrição infantil em Gaza

Situação humanitária é classificada como catastrófica após bloqueio de ajuda.

21 de Agosto de 2025
Foto: REUTERS / Mohammed Salem

A ONU informou nesta quinta-feira (21) que os níveis de desnutrição infantil na Faixa de Gaza triplicaram desde março, quando o último cessar-fogo foi rompido. Os dados são da Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA), que examinou quase 100 mil crianças nas suas clínicas ao longo dos últimos seis meses.

Segundo o comissário-geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, os novos números são “alarmantes” e revelam que, na Cidade de Gaza, atual epicentro da ofensiva israelense, quase uma em cada três crianças está subnutrida, índice seis vezes maior que antes da quebra da trégua.

Lazzarini destacou que a fome é resultado direto do bloqueio à entrada de ajuda humanitária, e não de um desastre natural. “Sem vontade política para reverter esta situação, mais crianças morrerão”, alertou.

A guerra, desencadeada em 7 de outubro de 2023 após o ataque do Hamas que matou cerca de 1,2 mil pessoas em Israel e fez 251 reféns, já deixou 62.122 mortos e 156.758 feridos em Gaza, segundo o Ministério da Saúde local, números considerados fidedignos pela ONU. Milhares seguem desaparecidos sob escombros ou mortos por doenças e fome.

O bloqueio à entrada de ajuda humanitária, que já dura mais de dois meses, foi seguido da proibição de atuação de agências da ONU e ONGs no território, agravando o colapso social. Até agora, 269 pessoas morreram de fome, incluindo 112 crianças, de acordo com dados do Hamas.

A ONU classifica a situação como de “fome catastrófica”, atingindo mais de 2,1 milhões de pessoas. Trata-se do pior índice de insegurança alimentar já registrado pela organização em seus estudos globais.

No campo político e militar, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, autorizou a mobilização de 60 mil reservistas e deu luz verde para a ocupação da Cidade de Gaza, ao mesmo tempo em que seguem negociações mediadas para um possível cessar-fogo e a libertação de reféns israelenses.

No fim de 2024, uma comissão especial da ONU acusou Israel de genocídio em Gaza e de usar a fome como arma de guerra, denúncia levada pela África do Sul ao Tribunal Internacional de Justiça e respaldada por diversas organizações de direitos humanos, inclusive israelenses.

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