Projeto busca garantir o fornecimento contínuo de insetos, como gafanhotos, para combater a desnutrição e apoiar a educação nas comunidades locais
Em várias regiões de Uganda, os gafanhotos são consumidos como uma iguaria sazonal e uma importante fonte de proteína. Porém, essa disponibilidade é limitada a certas épocas do ano. Para solucionar esse problema, a ONG Mothers Against Malnutrition and Hunger (Mamah), que significa "Mães contra a Desnutrição e a Fome", decidiu criar uma solução sustentável. A organização trabalha diretamente com as comunidades locais para garantir a criação desses insetos em cativeiro, permitindo que estejam disponíveis durante todo o ano.
"Insetos comestíveis têm muita proteína. Eles competem favoravelmente com outras fontes comuns de proteína, como frango e carne bovina. O desafio é que eles só existem sazonalmente. Então a gente leva a tecnologia da criação desses animais em cativeiro para as comunidades. E elas só precisam de um pequeno espaço para a criação", explica Violet Gwokyalya, membro da Mamah.
O projeto também é levado para escolas, onde muitas crianças não têm acesso à merenda escolar. "Em Uganda, a maioria das nossas escolas não oferece merenda, então elas estudam de barriga vazia, o que é muito difícil para elas. Então, mesmo que elas não tenham uma refeição, pelo menos poderão comer insetos como um lanche", afirma Violet.
Além de promover os gafanhotos, o projeto oferece outras opções de insetos comestíveis, ampliando as alternativas nutricionais para as comunidades. Em algumas regiões, os insetos podem ser a única fonte de proteína animal, já que, em determinados locais, as mulheres não têm acesso a carnes, frango ou ovos, que são consumidos exclusivamente pelos homens. "Em muitas culturas, esses alimentos nutritivos são reservados para os homens apenas", destaca Violet.
Projeto da ONG Mothers Against Malnutrition and Hunger busca garantir que insetos comestíveis estejam disponíveis o ano inteiro para comunidades de Uganda (Foto: mamah.org / X)
A ONG também enfrenta o desafio de mudar hábitos e tabus nas comunidades para permitir que as mulheres tenham acesso a esses alimentos nutritivos, quando disponíveis.
Ao longo dos 13 anos de implementação do projeto, Violet observou avanços significativos, como a melhoria nos índices de presença escolar, redução no abandono da escola e uma melhora nos indicadores de baixa estatura infantil.
A Mamah é uma das iniciativas presentes na Aldeia das Soluções para a Nutrição, um espaço onde empresas e organizações da sociedade civil compartilham experiências bem-sucedidas na área de nutrição saudável, no âmbito da cúpula Nutrition for Growth (N4G), que ocorre em Paris.
A cúpula, que acontecerá nos dias 27 e 28 de março, é precedida pela abertura da aldeia ao público, realizada em 26 de março. Outra iniciativa exposta na aldeia é a Cerfam, um centro de excelência em práticas agrícolas contra a fome e a desnutrição, apoiado pelo governo de Costa do Marfim e pelo Programa Mundial de Alimentos (WFP).
"Nosso objetivo é identificar e documentar boas práticas de luta contra a fome e a desnutrição na África. A ideia é identificar práticas locais e disseminá-las pela África. Precisamos encontrar soluções para os desafios africanos, incluindo as mudanças climáticas e o crescimento demográfico", afirma Marc Nene, diretor da Cerfam.
O apoio político e financeiro a ações que promovam uma nutrição saudável e sustentável é um dos objetivos da cúpula N4G, organizada pelo governo francês, que contará com representantes de 76 países, além de membros da sociedade civil e do setor privado.
Com informações da Agência Brasil.