Sexta-Feira, (25 de Setembro de 2026)
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Oncinha do Amazonas pede socorro enquanto fumaça avança sobre comunidade indígena

Yandra Mawé, de 6 anos, relata dificuldade para respirar em Iranduba; Amazonas já soma 3.240 focos de queimadas em setembro.

Por: Portal Amz em Pauta
25 de Setembro de 2026
Foto: Reprodução

A pequena Yandra Mawé, de 6 anos, conhecida nas redes sociais como “Oncinha do Amazonas”, publicou um vídeo para chamar atenção para os efeitos das queimadas no estado. Moradora da comunidade indígena Sahuapé, na zona rural de Iranduba, ela contou que a fumaça já chegou perto das casas e tem provocado desconforto entre os moradores. “A gente não consegue mais respirar direito”, afirmou.

Entre os dias 1º e 22 de setembro, o Amazonas registrou 3.240 focos de queimadas, número 244% maior do que o contabilizado no mesmo período de 2025. Iranduba também enfrentou nesta semana um incêndio de grandes proporções nas proximidades de Cacau Pirêra, ampliando a preocupação com a qualidade do ar na região.

No vídeo, Yandra relata que moradores passaram a sentir ardência nos olhos e que as aulas precisaram ser interrompidas por causa da fumaça. A menina também fez um apelo para que as pessoas evitem queimar lixo e descartem corretamente os resíduos, sem jogá-los nos rios. “A natureza não precisa da gente, mas nós precisamos dela”, disse.

Fumaça também atinge Manaus

A crise não ficou restrita a Iranduba. Na quarta-feira (23), a Defesa Civil registrou em Manaus média de 188,5 microgramas por metro cúbico de partículas finas MP2,5, nível classificado como “péssimo”. Segundo a Prefeitura, a fumaça que chegou à capital vinha principalmente de queimadas na Região Metropolitana de Manaus e no leste do Amazonas.

Os 3.240 focos registrados até 22 de setembro fizeram deste o mês com maior número de queimadas no Amazonas em 2026, superando o acumulado dos meses anteriores. Em boletim divulgado na quinta-feira (24), o Ministério Público de Contas do Amazonas informou que Novo Aripuanã, Autazes, Lábrea e Apuí estavam entre os municípios brasileiros com mais focos de queimadas no acumulado de setembro, com base em dados do Inpe.

O período coincide com a fase mais seca do ano na Amazônia e também com a atuação do El Niño. Um painel federal de acompanhamento do fenômeno apontou probabilidade superior a 90% de ocorrência de um El Niño muito forte entre setembro e novembro, condição que pode favorecer temperaturas mais altas e redução das chuvas.

Yandra vive em contato direto com o rio e a floresta na comunidade Sahuapé e costuma compartilhar nas redes sociais a rotina e as tradições do local. No fim do vídeo, ela reforçou o pedido de preservação ambiental e resumiu a preocupação vivida pelos moradores: “Sem a natureza, o nosso mundo não vive”.

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