Pacientes em países da Europa, Ásia e América do Norte estão sob investigação após contato com passageiros do navio
A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou cinco casos de hantavírus relacionados ao cruzeiro MV Hondius e passou a monitorar suspeitas da doença fora da embarcação, após registros de possíveis infecções em países da Europa, Ásia e América do Norte.
Segundo a OMS, três pessoas que estavam a bordo morreram desde o início do surto. Entre os casos confirmados estão um britânico internado em estado grave na África do Sul e uma passageira alemã que morreu após apresentar sintomas da doença.
As autoridades de saúde também investigam pacientes suspeitos na França, Holanda e Singapura que não estiveram no cruzeiro, mas tiveram contato com pessoas infectadas. Em Singapura, duas pessoas foram isoladas após viajarem no mesmo voo da viúva da primeira vítima registrada no navio.
Na Holanda, uma comissária de bordo da companhia aérea KLM foi internada em Amsterdã após apresentar sintomas compatíveis com hantavírus. Ela teria tido contato com a passageira contaminada durante um voo vindo da África do Sul.
Além disso, segundo o jornal The New York Times, autoridades dos estados norte-americanos da Califórnia, Geórgia e Arizona monitoram pacientes com sintomas suspeitos da doença.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o risco global permanece baixo e reforçou que o surto não representa uma nova pandemia. Segundo ele, a transmissão do hantavírus entre humanos é rara e ocorre apenas em situações específicas.
A diretora do Departamento de Prevenção e Preparo para Epidemias da OMS, Maria Van Kerkhove, destacou que o vírus possui comportamento muito diferente da Covid-19 e que a maioria dos casos de hantavírus não envolve transmissão entre pessoas.
O cruzeiro MV Hondius saiu da Argentina no início de abril e tinha como destino final Cabo Verde. Durante a viagem, cerca de 40 passageiros desembarcaram na ilha de Santa Helena após a primeira morte registrada no navio. Desses, 29 não retornaram à embarcação, aumentando o alerta das autoridades sanitárias internacionais.
Segundo a OMS, um especialista da organização acompanha os passageiros restantes até a chegada do navio em Tenerife, na Espanha. O órgão também informou que países de origem dos passageiros já foram notificados para reforçar o monitoramento de possíveis novos casos.