Especialistas consideram a aprovação um passo importante, já que é a primeira vez que a OMI caminha de forma concreta para regulamentar o impacto ambiental do setor
Os Estados-membros da Organização Marítima Internacional (OMI), agência da ONU, aprovaram nesta sexta-feira (11), a criação de um sistema global de precificação de carbono para o setor marítimo. A nova medida entrará em vigor em 2028 e exigirá que todos os navios utilizem combustíveis com menor intensidade de carbono ou paguem pelo excedente de emissões.
A proposta foi aprovada por maioria, com 63 países votando a favor — entre eles Brasil, China, Índia, Japão e a União Europeia — e 16 nações contrárias, incluindo grandes produtores de hidrocarbonetos como Arábia Saudita, Rússia e Emirados Árabes Unidos. Os Estados Unidos optaram por não participar da votação.
O novo sistema funcionará como um incentivo à adoção de combustíveis e tecnologias mais limpas, premiando emissões neutras ou quase neutras. Além disso, os recursos arrecadados com a taxa de carbono deverão financiar a transição energética do transporte marítimo nos países em desenvolvimento.
O plano faz parte da meta da OMI de atingir a neutralidade de carbono no setor até 2050. As metas intermediárias preveem redução de 40% das emissões até 2030, em relação aos níveis de 2008, e de 80% até 2040. A decisão final sobre o acordo ocorrerá em assembleia prevista para outubro.
Apesar do avanço, países insulares do Pacífico demonstraram frustração com o acordo. Essas nações, altamente vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, defendiam a implementação de uma taxa universal de carbono para o transporte marítimo. Como forma de protesto, optaram por se abster da votação.
Para esses países, o plano não é ambicioso o suficiente diante da urgência climática. Ainda assim, especialistas consideram a aprovação um passo importante, já que é a primeira vez que a OMI caminha de forma concreta para regulamentar o impacto ambiental do setor.
A porta-voz da OMI ressaltou que, apesar da ausência de unanimidade, a decisão representa um consenso significativo rumo à descarbonização do transporte marítimo global. O próximo passo será a definição dos detalhes técnicos e operacionais do mercado de carbono, antes de sua implementação em 2028.