Cinema

O Oriente Médio, o Irã, Israel, Inglaterra, os EUA e o cinema

Os filmes podem ser um ponto de partida para compreender os conflitos no Oriente Médio

Por: Emerson Medina
27 de Marco de 2026
Foto: Reprodução

O cinema muitas vezes pode ser uma janela sobre o nosso tempo e uma série de longas-metragens abordou a questão do Oriente Médio. Embora seja comum algumas imprecisões históricas em filmes de época, ainda é válido assistir uma obra e com ela ter uma base sobre uma situação histórica. E com o conflito entre o Irã, Israel e Estados Unidos, não faltam filmes que trazem um olhar sobre a questão.

Lawrence da Arábia (1962) é um aclamado longa de David Lean com Peter Otoole, no papel título e apresenta um panorama que pode explicar, ainda que em parte, porque o Oriente Médio ainda hoje é um barril de pólvora. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o Império Otomano, atual Turquia é aliado do Império Alemão e o Império Austro-Húngaro. A Inglaterra luta pelos aliados e não consegue se opor ao poderio de Istambul na região.

Cabe ao coronel T.E Lawrance unir as tribos nômades contra o Império Otomano, com a promessa de que cada povo teria um país para chamar de seu. Mas ao final da guerra, com a vitória dos aliados, os árabes ganham uma pernada do Império Britânico que cria países de mentira e nomeia seus comparsas como reis fantoches. Está estabelecida a fórmula para o caos que se mantém até hoje.

Exodus (1960 - Otto Preminger) traz Paul Newman na pele de Ari Bem Canaan, um judeu rebelde enfrentando o Império Britânico, que dominava a Palestina logo após a Segunda Guerra, na luta pela criação do Estado de Israel, fato que historicamente vai acontecer em 1948. 

Pulando para produções mais atuais, temos Argo (2012 – Bem Afleck) sobre um episódio envolvendo a revolução islâmica do Irã nos anos 1970. Logo no início, o filme entrega que a CIA sob comando do governo dos Estados Unidos deu um golpe de estado contra um presidente eleito democraticamente e colocou no lugar o Xá, Reza Pahlavi. Ele comandou um governo tão tirânico que a população preferiu abraçar o regime dos aiatolás.

É nesse contexto que entra o personagem da CIA interpretado pelo próprio Afleck para tentar resgatar seis funcionários da embaixada americana de Teerã e que estão foragidos na embaixada do Canadá. E a melhor dentre as piores ideias é fingir que um filme de Hollywood vai ser rodado no país disfarçando os diplomatas de membros da equipe de produção. É assim que o cinema une a história e o absurdo num thriler de espionagem tenso até os últimos minutos.

E para se ter uma visão de dentro do regime do Irã, temos a animação Persépolis (2007), baseada no quadrinho do mesmo nome da cartunista Marjane Sartrapi, iraniana emancipada que consegue fugir do regime e vive exilada na Europa. Marjane é a diretora também da animação em parceria com o cineasta Vicent Ponnaraund.

No longa animado Marjane transita do deslumbre da infância, ao trauma da guerra entre Irã e Iraque e aos questionamentos sobre a diferença de direitos entre homens e mulheres no Islã. Ela também mira na dificuldade de adaptação ao mundo do ocidente. Um testemunho de quem viu o país persa por dentro. 

Entrenimento, história e geopolítica. Assim o cinema consegue proporcionar uma primeira imersão para ajudar a compreender esse mundo e esses tempos absurdos que vivemos.

 

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