Episódios de brigas na estreia do filme de Michael Jackson reacendem discussão sobre comportamento nas sessões de cinema
Ir ao cinema sempre foi mais do que só assistir a um filme é uma experiência coletiva. A sala escura, o som envolvente, as reações do público… tudo isso faz parte do pacote. Mas justamente por ser um espaço compartilhado, existem limites importantes entre curtir o momento e atrapalhar o dos outros.
Esse debate sobre comportamento em salas de cinema volta à tona, especialmente em grandes estreias. Em eventos muito aguardados, como aconteceu recentemente com o longa de Michael Jackson, houve sessões marcadas por gritos constantes e até brigas. Para alguns, isso parecia uma celebração; para outros, foi uma experiência frustrante.
Então para dar minha humilde contribuição ao tema vou abordar aqui essa discussão sem fim sobre comportamento em espaços públicos. Você pode não concordar com tudo, mas pelo menos reflita sobre as atitudes que podem melhorar ou estragar a experiência sua e dos outros nas sala de cinema. Então vamos a elas.
O que pode: se envolver com o filme, rir alto nas cenas engraçadas, se emocionar sem vergonha, comentar discretamente com quem está ao lado em momentos pontuais e, claro, aproveitar aquela pipoca clássica. Chegar no horário também é essencial ninguém gosta de ter a visão bloqueada por alguém entrando no meio da sessão.
Considere que boa parte das regras, geralmente são apresentadas no momento dos trailers com uma vinheta que passa ainda as dicas de segurança, como as saídas de emergência por exemplo. Nessas vinhetas estão o básico como usar o celular com brilho alto (aquela luz incomoda MUITO mais do que você imagina), conversar como se estivesse em casa, atender ligações, chutar ou empurrar a cadeira da frente, ou ficar levantando toda hora sem necessidade. E um dos pontos mais importantes: filmar ou fotografar o filme não é permitido — além de ilegal, devidos direitos autorais, em muitos casos, quebra completamente a imersão de quem está ali.
Mas até que ponto a empolgação coletiva é válida e quando ela passa a desrespeitar o espaço do outro? A resposta geralmente está no equilíbrio. Em sessões especiais ou eventos anunciados como interativos, esse tipo de comportamento pode até fazer parte. Mas em sessões comuns, a regra principal continua sendo o respeito.
Por exemplo, muita gente é contra aplausos, mas vendo pelo lado do artista, o aplauso é a melhor resposta para a obra. Então saber que seu filme foi aplaudido no final da sessão ou em algumas cenas é muito satisfatório. Aliás o aplauso é uma reação espontânea e genuína, assim como a vaia ou o susto com gritos na cena de terror ou a gargalhada nos filmes de comédia.
Se ainda não está convencido, procure se basear no público mais “chato” do cinema: O público de festival. Sessões de festivais são de um silêncio absurdo, mal há conversas e ouvimos somente o respirar da plateia além do que está saindo das caixas de som da sala. Mas ao final, o aplauso é liberado. Não por acaso, um dos principais prêmios do cinema internacional está relacionado ao tempo de aplauso: A “Palme D´or” de Cannes.
No caso do filme de Michael Jackson ele está naquela categoria de filme-evento feito para fãs. Então normal que pessoas queiram cantar e até dançar, mas é bom levar em consideração que a maioria do público quer ver o filme e não a sua execução do moonwalker. Na dúvida, para quem prefere mesmo apreciar a película, melhor esperar passar a primeira semana após a estreia para se aventurar na sala de exibição.
No fim das contas, o cinema funciona melhor quando todo mundo colabora. Pequenas atitudes — como silenciar o celular, manter o tom de voz baixo e respeitar o espaço alheio — garantem que aquela experiência continue sendo mágica para todos.