O reencontro de Andy e Miranda e o resto do elenco é a força que sustenta a continuação do primeiro filme lançado há duas décadas
Muita coisa mudou nos últimos 20 anos, mas o que não mudou e continua servindo bem aos fãs é a química afiada, ácida, intrigante e bem-humorada entre Andrea Sachs (Anne Hathaway), Miranda Priestly (Meryl Streep), Emily Charltons (Emily Blunt) e Nigel (Stanley Tucci). E é essa dinâmica que sustenta e muito bem ‘O Diabo Veste Prada 2’ que entra em cartaz nesta quinta-feira, 30, nos cinemas brasileiros.
E claro, mais uma vez pela parceria AMZ em Pauta e Filmes Gourmet fui conferir a sessão especial de O Diabo Veste Prada 2, a convite dos Estúdios Disney e 20th Century Stúdios. Aliás foi quase um lançamento de coleção, já que havia convidados devidamente paramentados para o tema do filme no melhor estilo “cosplay” de Miranda e de Andy Sachs.
Isso reflete o impacto da moda como elemento cultural global. Seja a alta costura ou o que usamos no dia a dia, a moda é uma indústria que está no cotidiano das pessoas e é resultado do poder criativo de muitos talentos, além de manter toda uma cadeia de empregos, serviços e receita.
Esse acaba sendo o mote de partida para o retorno de Andy Sachs à redação da revista de moda Runway: Salvar empregos. Primeiro, o seu próprio, já que Andy inicia o longa sendo demitida da redação de um jornal, no mesmo dia que recebe um prêmio de imprensa. Voltar à Runaway e encarar Miranda novamente é, à primeira vista, um caso de sobrevivência, mas aos poucos ela vai absorvendo a importância de todos que operam aquele veículo de comunicação.
Foto: Divulgação / Reprodução
Mas não se preocupe, não é um filme de Ken Loach sobre a crise do trabalhador comum. O diretor de O Diabo Veste Prada 2, David Frankel, faz um belo ‘fan service’ apostando mesmo no reencontro do elenco principal e sobre quem eles são e como está a relação entre eles após 20 anos.
A direção faz jus ao filme-evento. A linguagem é de vídeoclipe. Há sempre uma vernissage onde as personagens se encontram e o elenco está sempre chegando em algum lugar para diversificar o figurino. E sobre o figurino o que posso comentar é que vem com a assinatura de Chanel, Calvin Klein, Dolce & Gabbana, Dior, Tiffany & Co e tantas outras marcas desse universo quase paralelo.
E apesar do humor e alguma crítica à esse clube para poucos abastados, há um respeito pela alta moda apresentada em tela. Tem humor, mas não tem deboche, nem mesmo os figurinos chegam a ser extravagantes, mantendo o nível da elegância. Há até participações especiais como de Donatella Versace e Naomi Campbell, entre outras surpresas.
A trilha sonora vem recheada de hits que são ícones para os afccionados por moda e trazem obras de estrelas da música pop como Madonna e Lady Gaga.
Mas não esqueçamos que há perigos na festa: Em 20 anos a Runaway migrou do formato de revista para plataforma digital e agora está sob ameaça de gestores que são focados em tecnologias como a Inteligência Artificial e como elas podem ampliar lucros, reduzindo custos e promovendo cortes de empregos.
Em determinado momento, um personagem chega a dizer que todo o trabalho desse setor, inclusive o de designers será superado pela tecnologia. É contra isso que Andy Sachs agora tem que lutar, mesmo que precise buscar alianças improváveis. Afinal, por trás de todo o glamour está o esforço de um grupo considerável de pessoas. E no fim de tudo, são as pessoas que importam.