Brasil

Número de famílias no Bolsa Família cai em julho com avanço na renda

Queda de quase 1 milhão de beneficiários está ligada à entrada no mercado de trabalho.

23 de Julho de 2025
Foto: depositphotos.com / joasouza

O número de famílias atendidas pelo programa Bolsa Família caiu de 20,5 milhões para 19,6 milhões em julho, uma redução de aproximadamente 958 mil lares. Embora à primeira vista a queda possa sugerir cortes orçamentários ou ajuste fiscal, o motivo apontado pelo governo federal é outro: o aumento da renda familiar.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), a principal razão para o desligamento das famílias foi o cumprimento da chamada Regra de Proteção, que permite a permanência parcial no programa por até dois anos após o aumento da renda. Durante esse período, os beneficiários recebem 50% do valor original do benefício, mesmo tendo ultrapassado a linha de pobreza de R$ 218 por pessoa.

Em julho, 536 mil famílias foram desligadas por terem completado os dois anos previstos pela Regra de Proteção. Outras 385 mil deixaram o programa por melhora de renda, ao atingirem o patamar de meio salário mínimo por pessoa.

A Regra de Proteção foi criada para evitar que a possibilidade de perder imediatamente o benefício iniba os beneficiários de buscar emprego ou aumentar sua renda. O mecanismo permite que a família tenha tempo para consolidar sua situação financeira. Caso volte a cair na linha da pobreza, o Retorno Garantido assegura prioridade no reingresso ao programa.

O governo tem buscado integrar o Bolsa Família a políticas de empregabilidade e inclusão produtiva. Os dados mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) indicam que 1,7 milhão de vagas formais foram criadas em 2024. Destas, 98,8% foram ocupadas por pessoas inscritas no CadÚnico, que reúne cidadãos em situação de vulnerabilidade. Entre eles, 1,27 milhão eram beneficiários do Bolsa Família, representando 75% do total de contratados.

“São quase 3,5 milhões de pessoas que saíram da pobreza apenas neste ano”, destacou o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias. “Desde o início do governo, já são 24 milhões que superaram essa condição”, comemorou.

Os números indicam que a articulação entre proteção social e inserção produtiva pode estar surtindo efeito, com o programa Bolsa Família funcionando não apenas como rede de amparo, mas também como ferramenta de transição para a autonomia financeira.

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