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Novos drones sobrevoam base militar na Dinamarca e UE propõe muro antidrones

Governo dinamarquês suspeita de ataques híbridos russos e reforça defesas aéreas.

27 de Setembro de 2025
Foto: Divulgação

A Dinamarca registrou na noite da última sexta-feira (26) um novo episódio da chamada “crise dos drones”, que vem se intensificando na Europa. Drones de origem desconhecida foram avistados por várias horas sobre a base militar de Karup, a maior do país, localizada no norte dinamarquês, informou neste sábado (27) a polícia local, que investiga o caso em conjunto com o Exército.

De acordo com o policial Simon Skelsjaer, um ou dois drones sobrevoaram tanto o interior quanto os arredores da base. O aeroporto de Midtjylland, que fica próximo ao local, precisou ser fechado temporariamente por segurança. Até o momento, os drones não foram abatidos, mas a presença dessas aeronaves gerou grande preocupação entre autoridades militares e de segurança.

O incidente ocorre dias depois de a Dinamarca anunciar a aquisição de armas de precisão de longo alcance, justificando a medida pela crescente ameaça representada pela Rússia. O país é membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que prevê a defesa coletiva de seus integrantes em casos de agressão externa.

Além do episódio em Karup, o governo dinamarquês registrou recentemente sobrevoos de drones sobre outras áreas estratégicas, incluindo a região de Amager, nos arredores de Copenhague. Para reforçar a vigilância, o Exército dinamarquês instalou radares móveis e aceitou apoio da Suécia, que fornecerá tecnologia antidrones durante a cúpula de chefes de governo europeus marcada para 1º e 2 de outubro.

A primeira-ministra Mette Frederiksen afirmou em mensagem de vídeo que o país é “vítima de ataques híbridos” e apontou diretamente para a Rússia como a principal ameaça à segurança europeia. Moscou, por sua vez, rejeitou qualquer envolvimento, classificando as acusações como uma “provocação encenada”.

O ministro da Defesa da Alemanha, Alexander Dobrindt, também se manifestou, dizendo que a ameaça de drones sobre pontos estratégicos na Europa atingiu um nível elevado e que o Exército alemão tomará medidas para fortalecer sua defesa. Incidentes semelhantes já foram registrados em setembro na Polônia e na Romênia, ampliando a sensação de risco no continente.

Em resposta a essa nova realidade, ministros da Defesa da União Europeia concordaram em priorizar a criação de um “muro antidrones” para proteger a região. “Precisamos agir rapidamente e aprender as lições da Ucrânia para construir esse muro em parceria com o país”, destacou o comissário europeu de Defesa, Andrius Kubilius.

O ministro da Justiça dinamarquês, Peter Hummelgaard, reforçou que o objetivo dessas ações é “semear medo, criar divisões e intimidar a população”. Ele afirmou que o governo investirá em novas capacidades para detectar e neutralizar drones, fortalecendo a segurança aérea do país.

Com os novos incidentes, cresce a pressão para que a União Europeia desenvolva estratégias conjuntas de defesa, envolvendo monitoramento contínuo, cooperação militar e investimentos em tecnologia, a fim de enfrentar a crescente ameaça representada por drones de origem não identificada em seus territórios.

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