Ciência e Tecnologia

Nova espécie humana pode surgir em Marte? Especialista explica os desafios evolutivos no Planeta Vermelho

A possibilidade de que a humanidade evolua para uma nova espécie em Marte é tema de um forte debate.

27 de Maio de 2025
Foto: Reprodução

A professora e astrobióloga Mírian Forancelli Pacheco explicou, durante participação no programa Olhar Espacial, as possíveis adaptações que o Homo sapiens teria de enfrentar para viver em Marte.

Pacheco é mestre em Arqueologia, doutora em Geociências e pós-doutora em Física Nuclear pela Universidade de São Paulo (USP). Desde 2013, é docente na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em Sorocaba, onde também chefia o Laboratório de Paleobiologia e Astrobiologia.

Segundo a especialista, o primeiro desafio está na própria chegada ao Planeta Vermelho. Para Pacheco, seria mais viável e econômico iniciar a colonização espacial a partir de bases na Lua, devido à menor velocidade de escape, o que reduziria significativamente o consumo de combustível nos lançamentos em direção a Marte.

Ao chegar ao planeta, porém, os obstáculos seriam ainda maiores. A atmosfera rarefeita e a ausência de um campo magnético protetor, perdido no passado marciano, expõem os humanos a níveis elevados de radiação ultravioleta (UV), capazes de provocar mutações e doenças como o câncer.

A possibilidade de que a humanidade evolua para uma nova espécie em Marte também foi debatida. Pacheco comentou a hipótese do Homo martianus, proposta por Scott Solomon, professor de biociências da Universidade Rice, nos Estados Unidos. Segundo Solomon, uma população humana isolada em Marte poderia sofrer rápidas transformações evolutivas, em um processo que levaria apenas algumas centenas de anos.

“A seleção natural atuando sobre um grupo pequeno pode causar mudanças muito rápidas”, explicou Pacheco. Entre as principais adaptações previstas, está o aumento da densidade óssea, necessário para resistir aos efeitos da gravidade marciana e para garantir segurança na gestação e no parto. “Nossa densidade óssea tenderia a evoluir para valores maiores, com uma pélvis mais resistente”, afirmou a astrobióloga.

Outra mudança possível seria na cor da pele. De acordo com Pacheco, a maior exposição aos raios UV poderia estimular a produção de eumelanina, pigmento responsável pelo escurecimento da pele e pela proteção do material genético humano.

Em casos mais extremos, ela sugere, seguindo a hipótese de Solomon, que poderia até surgir um novo tipo de pigmento, mais eficiente na defesa contra a radiação marciana. “Nossa cor poderia ser outra”, ressaltou Pacheco.

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