Medição do Porto de Manaus indica recuperação após vazantes históricas recentes.
O nível do Rio Negro encerrou o ano de 2025 com elevação significativa em Manaus. De acordo com dados do Porto de Manaus, a cota registrada na última terça-feira (30) foi de 22,01 metros, valor 3,79 metros acima do nível observado no último dia de 2024, quando o rio marcava 16,22 metros.
Segundo a medição mais recente, o Rio Negro apresentou alta de 3 centímetros nas últimas 24 horas. No mesmo período do ano passado, o rio havia subido 17 centímetros no intervalo diário, mas ainda permanecia em um dos patamares mais baixos já registrados para o fim de dezembro.
O contraste chama atenção diante do histórico recente de secas extremas. Em outubro de 2024, o Rio Negro atingiu 12,68 metros, configurando a maior vazante já registrada em Manaus pelo segundo ano consecutivo, conforme levantamento do Serviço Geológico do Brasil. O recorde ocorreu 23 dias antes da marca histórica de 2023, quando o rio chegou a 12,70 metros.
Projeções hidrológicas para 2026, divulgadas pelo Serviço Geológico do Brasil e pela Agência Nacional de Águas e Saneamento, indicam tendência de cheias acima da média histórica em trechos dos rios Solimões, Purus e Juruá, no Amazonas, elevando o alerta para possíveis impactos no início do próximo ano.
Dados atualizados em 4 de dezembro de 2025 apontam aumento acelerado no volume de chuvas na região andina, que alimenta parte da bacia amazônica. Esse cenário, somado a anomalias de temperatura no Atlântico Norte, amplia a probabilidade de enchentes precoces entre os meses de fevereiro e abril.
Monitorado há 123 anos, o Rio Negro reflete uma tendência de extremos climáticos cada vez mais frequentes na maior bacia hidrográfica do mundo. Das dez maiores cheias já registradas, sete ocorreram nos últimos 17 anos, incluindo o recorde histórico de 2021, quando o nível chegou a 30,02 metros.
De acordo com André Martinelli, pesquisador em geociências do Serviço Geológico do Brasil, o fenômeno não se restringe ao Rio Negro. Ele explica que diversas sub-bacias amazônicas vêm registrando quebras sucessivas de recordes, com intervalos cada vez menores entre cheias e vazantes, além do aumento da distância entre níveis mínimos e máximos, tendência que pode intensificar impactos sociais e ambientais nos próximos anos.