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Netanyahu rejeita criação de Estado palestino e anuncia expansão de colonatos

Premiê envia mensagem a países que reconheceram a Palestina e promete resposta após ida à ONU.

22 de Setembro de 2025
Foto: ABIR SULTAN / Pool via REUTERS

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que não permitirá a criação de um Estado palestino. Em vídeo divulgado pelo gabinete oficial e dirigido a líderes ocidentais, especialmente do Reino Unido, Canadá e Austrália, que recentemente reconheceram a Palestina, o premiê afirmou: “Tenho uma mensagem clara para os líderes que reconhecem um Estado palestino após o massacre atroz de 7 de outubro: vocês estão a oferecer uma enorme recompensa ao terrorismo”. Ele acrescentou: “Tenho outra mensagem para vocês: isso não vai acontecer. Nenhum Estado palestino será criado a oeste do [Rio] Jordão”.

Netanyahu também anunciou a expansão da colonização judaica na Cisjordânia ocupada como reação ao reconhecimento internacional do Estado palestino. “Durante anos, impedi a criação desse Estado terrorista, apesar das enormes pressões, tanto dentro do país quanto internacionalmente. Fizemos com determinação e sabedoria política”, afirmou. Segundo ele, “foram duplicados os colonatos judeus na Judeia e Samaria [como Israel chama a Cisjordânia] e continuaremos nesse caminho”.

O líder israelense indicou que novas medidas serão divulgadas em breve. “A resposta à última tentativa de nos impor um Estado terrorista no coração do nosso país será dada após o meu regresso dos Estados Unidos. Vamos esperar”, advertiu. Netanyahu viaja nesta semana para Nova York, onde participará da 80ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) e tem encontro previsto com o presidente norte-americano, Donald Trump.

As declarações ocorrem às vésperas de uma conferência de alto nível na ONU, organizada por França e Arábia Saudita, que deve formalizar o reconhecimento da Palestina. De acordo com a presidência francesa, além da França, Bélgica, Malta, Luxemburgo, Andorra e San Marino também anunciarão oficialmente o reconhecimento do Estado palestino durante o encontro.

Antes do pronunciamento de Netanyahu, o governo israelense já havia rejeitado “categoricamente a declaração unilateral de reconhecimento de um Estado palestino feita pelo Reino Unido e outros países”, conforme nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE). Para Israel, a decisão “não promove a paz” e “desestabiliza ainda mais a região”, além de “minar as hipóteses de alcançar uma solução pacífica no futuro”.

O MNE israelense argumentou que o gesto “vai contra qualquer lógica de negociação e de procura de um compromisso entre duas partes e afasta ainda mais a paz desejada”. A pasta também acusou a Autoridade Palestina, representante do Estado palestino na ONU, de “não ter tomado as medidas necessárias para combater o terrorismo”, reforçando que “a Autoridade Palestina é parte do problema, não da solução”.

Segundo o governo israelense, o presidente norte-americano, Donald Trump, chegou a impedir a entrada da delegação palestina nos Estados Unidos para a semana de alto nível da ONU. Em mensagem publicada na rede social X, a diplomacia de Israel condenou especificamente o Reino Unido, chamando o reconhecimento do Estado palestino de “recompensa para o jihadista Hamas”. “Os próprios líderes do Hamas admitem abertamente: esse reconhecimento é consequência direta, fruto do massacre de 7 de outubro (2023)”, completou a nota, pedindo que Londres não permita que “a ideologia jihadista dite suas políticas”.

 

Com informações da Lusa*

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