Premiê diz que proposta de Trump não prevê reconhecimento e reforça oposição.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, negou nesta terça-feira (30) ter aceitado o princípio de um Estado palestino no âmbito do plano de paz para Gaza, apresentado na véspera pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em vídeo publicado nas redes sociais, o premiê afirmou que não existe qualquer menção à criação de um Estado palestino no acordo discutido em Washington.
“De maneira nenhuma, não está escrito no acordo”, disse Netanyahu, em hebraico, ao responder perguntas sobre os 20 pontos apresentados por Trump. O líder israelense reforçou que a posição de seu governo é contrária à formação de um Estado palestino. “Uma coisa ficou clara [durante as conversações com Trump]: vamos nos opor firmemente a um Estado palestino”, declarou.
Segundo Netanyahu, aceitar essa possibilidade representaria “uma enorme recompensa para o terrorismo e um perigo para o Estado de Israel”. Ele acrescentou que Trump entende essa posição e garantiu: “é algo que não aceitaremos”.
O plano divulgado pela Casa Branca prevê que, em última instância, poderiam ser criadas condições para o estabelecimento de um Estado palestino, caso fossem cumpridos requisitos de segurança e estabilidade. O texto também estabelece que Israel não anexará Gaza e que haverá uma retirada gradual das Forças de Defesa de Israel (FDI), substituídas por uma Força Internacional de Estabilização (FIS) durante um período de transição.
Apesar disso, Netanyahu destacou que sua visita aos Estados Unidos foi “histórica”, afirmando que Israel conseguiu mudar a dinâmica regional. “Em vez de o Hamas nos isolar, nós isolamos o Hamas. Quem imaginaria?”, disse. O premiê ressaltou que Trump deixou claro que, caso o Hamas rejeite ou ignore a proposta, apoiará a continuação da ofensiva israelense em Gaza.
O líder israelense afirmou ainda que o objetivo é garantir o retorno de todos os reféns sequestrados pelo Hamas, vivos ou mortos, mantendo a presença militar israelense em grande parte da Faixa de Gaza até que seja eliminada qualquer ameaça de novos ataques. “Disseram-nos que devíamos aceitar as condições do Hamas e que as FDI deveriam se retirar. Não, não, isso não vai acontecer”, completou.
A proposta de paz surge em meio a um conflito que já deixou mais de 66 mil mortos e 168,3 mil feridos no enclave palestino desde outubro de 2023, segundo autoridades de Gaza, números que são considerados confiáveis pela Organização das Nações Unidas (ONU).
O acordo ainda depende da aceitação do Hamas, que, até o momento, não se pronunciou oficialmente sobre os termos. Enquanto isso, a comunidade internacional acompanha com cautela a evolução das negociações e a resposta das partes envolvidas.
Com informações da Lusa*