Premiê israelense diz ter concordado “em dar uma chance à paz”, enquanto cobra entrega das armas pelo grupo palestino.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou em entrevista à emissora americana CBS News que a guerra em Gaza “acabou”, mas condicionou a estabilidade na região ao desarmamento completo do Hamas. Segundo ele, apesar de concordar “em dar uma chance à paz”, se o grupo não entregar suas armas “o inferno vai se instalar”.
Durante a entrevista, Netanyahu explicou que a próxima etapa do cessar-fogo depende da desmilitarização total da Faixa de Gaza. “Primeiro, o Hamas precisa entregar suas armas. E segundo, é preciso garantir que não haja fábricas de armas dentro de Gaza. Não haja contrabando de armas para Gaza. Isso é desmilitarização”, afirmou o premiê.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também alertou, na terça-feira (14), que se o grupo palestino não se desarmar, “nós os desarmamos”. Netanyahu disse ter ouvido os comentários de Trump e reconheceu a gravidade do alerta, mas reiterou estar esperançoso com a possibilidade de alcançar a paz “de forma pacífica”.
Rejeição do Hamas e devolução de corpos
O Hamas, no entanto, rejeitou a ideia de entregar as armas. Paralelamente, a devolução de corpos de reféns mortos pelo grupo tem aumentado a tensão entre as partes. O Exército israelense informou nesta quarta-feira (15) que o quarto corpo entregue pelo Hamas, na terça-feira (14), não corresponde a nenhum dos reféns identificados.
Em comunicado, as Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram que o Hamas é “obrigado a fazer todos os esforços necessários” para devolver os corpos dos reféns. Israel já confirmou, após identificação formal, que os três primeiros corpos entregues eram de Uriel Baruch, Tamir Nimrodi e Eitan Lev. O quarto corpo seria, segundo as autoridades, de um cidadão de Gaza.
“As análises realizadas no Instituto Nacional de Medicina Legal concluíram que o quarto corpo entregue a Israel pelo Hamas não corresponde a nenhum dos reféns”, disse o Exército.
Até o momento, o grupo palestino devolveu apenas sete dos 28 corpos de reféns mortos que permanecem na Faixa de Gaza. O plano de paz proposto por Donald Trump previa a devolução de todos os reféns, vivos e mortos, até o final do prazo de 72 horas, que expirou na segunda-feira (13).
Pressão das famílias e fechamento de fronteira
O fórum de famílias das vítimas tem pressionado o governo israelense a suspender o cessar-fogo até que todos os corpos sejam devolvidos. Em resposta, autoridades de Israel determinaram o fechamento da passagem de Rafah, na fronteira entre Egito e Faixa de Gaza, para entrada de ajuda humanitária, até que o Hamas devolva os corpos dos 24 reféns ainda mantidos no enclave palestino.
A emissora pública israelense Kan informou que a medida permanecerá em vigor até o fim desta quarta-feira (15). O canal de notícias 12 citou uma autoridade que, sob anonimato, afirmou que “Israel acredita que não há motivação para o Hamas devolver os corpos”.
Equipes egípcias e americanas estão envolvidas nas buscas pelos corpos dentro de Gaza. As famílias dos reféns, por sua vez, acusam o governo israelense de “fugir da responsabilidade” e de abrir mão da influência política que poderia acelerar a devolução dos corpos e o encerramento definitivo do conflito.