A mostra "MIA - Passado, presente e futuros" promove reflexões sobre urbanização, ancestralidade e justiça climática com obras interativas e bate-papos abertos ao público
A exposição "MIA - Passado, presente e futuros" do Museu Itinerante da Amazônia (MIA) chegou à Manaus, trazendo uma reflexão profunda sobre o modelo urbano das cidades amazônicas e o impacto das mudanças climáticas na vida da população. A mostra, que começou em Belém, é uma colaboração entre o Laboratório da Cidade, de Belém, e a organização Oca Amazônia, com a participação de pesquisadores e artistas locais. Após sua passagem por Manaus, a exposição seguirá para outras capitais, como São Luís, Brasília e Rio de Janeiro.
A exposição propõe uma abordagem inovadora sobre como as cidades amazônicas vêm sendo construídas, questionando os moldes urbanos que, muitas vezes, não se adaptam ao clima e às particularidades geográficas da região. Um dos destaques é o vídeo, resultado de um estudo sobre áreas urbanizadas sem arborização em Belém, que foi adaptado para refletir a realidade de outras cidades. O objetivo do vídeo é estimular a reflexão sobre alternativas de urbanismo mais adequadas à Amazônia, além de ampliar o debate sobre o direito à cidade.
Jade Jares, gerente de projetos culturais do Laboratório da Cidade e curadora da exposição, explicou que a ideia do MIA surgiu em 2022, inicialmente com a proposta de um museu a céu aberto para o Dia da Amazônia. No entanto, em 2023, o projeto evoluiu para uma versão mais interativa, focada na escuta do público. “A exposição busca entender como a cidade foi construída, como ela ainda replica modelos europeus que não se adaptam ao nosso clima e geografia, e como podemos aprender com os povos originários para transformar o futuro urbano da Amazônia”, afirmou Jade.
Durante a abertura da exposição, houve um bate-papo sobre "COP30 e as cidades amazônicas", promovendo um debate enriquecedor sobre os eixos do MIA, conectado com o projeto apoiado pelo Instituto Clima e Sociedade. Para Tatiana Lobão, que estava de passagem por Manaus, a exposição trouxe à tona a urgência das questões climáticas na região: "Quando andar de bicicleta ou ônibus se torna quase impossível devido ao calor e à falta de infraestrutura, vemos como o planejamento urbano está falhando com as pessoas. A exposição materializa essas discussões e provoca o olhar de quem passa por isso, achei muito interessante ver esse ponto de vista".
Além das obras que retratam o impacto visual e sensorial das mudanças climáticas, a exposição denuncia situações críticas das cidades amazônicas, como rios transformados em esgotos a céu aberto e a substituição de espaços verdes por asfalto, que muitas vezes são vendidos como sinônimo de progresso. Jade Jares destaca: “A gente precisa repensar os moldes de como tudo está sendo construído. Não dá mais para continuar reproduzindo padrões urbanos que ignoram a realidade da Amazônia.”
O MIA não só visa sensibilizar a sociedade civil, mas também provocar reflexões junto às autoridades, especialmente com a proximidade da COP30, que será realizada em novembro deste ano em Belém. “Queremos que essa exposição não apenas toque as pessoas, mas que influencie decisões e inspire uma nova forma de viver e pensar a cidade amazônica”, conclui Jade.
A exposição está aberta ao público com entrada gratuita e segue em cartaz até o dia 29 de abril, de segunda a sábado (exceto às quartas-feiras), das 9h às 15h, no Palacete Provincial.