Cultura

Museu das Favelas reabre com exposições que celebram a diversidade e a resistência

Quatro mostras destacam linguagens múltiplas e histórias das comunidades.

07 de Dezembro de 2024
Foto: Divulgação/Museu das Favelas SP

O Museu das Favelas reabriu suas portas em um novo endereço, na região do Pateo do Collegio, no centro histórico de São Paulo, apresentando quatro exposições que exploram as múltiplas facetas da vida nas comunidades. Antes localizado no bairro de Campos Elíseos, o museu retoma suas atividades com mostras que promovem reflexões sobre cultura, ancestralidade e resistência. 

A principal exposição, “Sobre Vivências”, conecta a história das favelas à riqueza cultural de seus moradores, destacando as diversas expressões que emergem desses territórios. Já a mostra itinerante “Favela em Fluxo”, composta por obras de 22 artistas oriundos de comunidades, chega a São Paulo após passar por Recife, Salvador e Rio de Janeiro. “Marvel – O Poder é Nosso” oferece uma releitura dos heróis tradicionais, transformados em representantes de grupos minoritários, enquanto outra mostra exibe instalações que mesclam arte e tecnologia. 

Oswaldo Faustino, do grupo curatorial de Favela em Fluxo, destacou a importância de incluir funcionários do setor educativo e de pesquisa no processo curatorial. “Foi essencial validar as percepções de quem está na linha de frente, atendendo os visitantes e guiando suas interpretações”, afirmou. 

Entre os destaques artísticos está “Deusa da Espreita”, uma pintura criada pela artista Lua Barral em Recife, e um vídeo impactante que celebra a força das travestis nas comunidades. Outra obra marcante é uma colagem central moldurada por lâminas de barbear, cuja mensagem política é ampliada pelo som de funkeiros como Pétala Lopes e MC Mano Feu. 

Um dos espaços mais simbólicos recria um beco com fotografias que, para alguns, remete a opressão, mas, para outros, evoca liberdade. Faustino relata uma experiência marcante: “Uma mulher trans do grupo disse que, para ela, o beco era o caminho para a liberdade, pois, quando criança, pulava da janela e encontrava ali um espaço aberto. Isso mudou minha visão, revelando o olhar de quem vive de dentro da favela.” 

A exposição também revisita as origens do termo “favela”, associado ao Morro da Favela (hoje Morro da Providência) no Rio de Janeiro, e à planta faveleira, representada de forma estilizada na mostra. Um coletivo de artistas criou a copa da árvore em crochê, simbolizando que os espinhos foram aparados pelos ancestrais, transformando a favela de espaço de carência em potência. 

Com entrada gratuita, o Museu das Favelas segue em exibição até fevereiro de 2025, oferecendo um espaço de celebração da cultura e da memória das comunidades. 

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