Brasil

Mulher presa por envenenar família com bolo, pode ter cometido outros crimes semelhantes

A polícia segue investigando o caso e aguarda os resultados de novos exames periciais para confirmar o uso de arsênio em outras suspeitas de envenenamento

13 de Janeiro de 2025
Foto: Divulgação

Deise Moura dos Anjos, de Torres, no Rio Grande do Sul, foi presa em 5 de janeiro de 2025, acusada de envenenar sua sogra, Zeli dos Anjos, e mais seis familiares com um bolo contaminado com arsênio. Três pessoas morreram após ingerir o bolo: Neuza e Maida, irmãs de Zeli, e Tatiana, filha de Neuza. A sogra de Deise chegou a ficar internada na UTI, mas recebeu alta no último dia 10.

A polícia investiga a relação de Deise com outras mortes suspeitas na família, incluindo Paulo, marido de Zeli, em setembro. O arsênio foi encontrado no corpo de Paulo durante exames periciais, e há suspeitas de que o veneno tenha sido misturado ao leite em pó consumido por ele.

No celular de Deise, apreendido pela polícia, foram encontradas pesquisas na internet relacionadas a métodos de envenenamento, como “arsênio veneno” e “veneno que mata humano”. Áudios revelam que ela se referia à sogra de maneira depreciativa, chamando-a de “peste” e manifestando desentendimentos frequentes.

A investigação revelou que Deise comprou arsênio pela internet quatro vezes ao longo de quatro meses. A nota fiscal de uma das compras, datada de setembro, indica que o veneno foi adquirido pouco antes da morte de Paulo. O último episódio, envolvendo o bolo, ocorreu em dezembro.

Foto: Divulgação 

A Polícia Civil também apura se Deise pode estar ligada a outras mortes, incluindo a do próprio pai, José Lori da Silveira Moura, que faleceu em 2020, supostamente por cirrose. Testes devem ser realizados para confirmar o envenenamento em outros membros da família, incluindo o filho e o marido da acusada, que apresentaram complicações de saúde após a ingestão de pequenas quantidades de arsênio. 

O Instituto Geral de Perícias (IGP) analisa uma garrafa de água levada por Deise ao hospital durante a internação de Zeli, poucos dias antes de ser presa. A acompanhante da sogra relatou que o lacre estava rompido e que havia descartado o líquido. Apesar da lavagem da garrafa, os peritos buscam vestígios de arsênio.

Especialistas em toxicologia explicam que o arsênio, em pequenas doses, não provoca morte imediata, mas causa sintomas graves como náuseas, vômitos incessantes e diarreia. A polícia investiga se outros membros da família foram expostos ao veneno.

A irmã de Deise enviou uma carta ao programa Fantástico, defendendo a inocência da suspeita e alegando que ela já está sendo condenada publicamente antes do julgamento. A irmã também destacou que Deise ajudou a família durante as enchentes no estado, embora reconheça que ela sempre foi uma pessoa difícil.

O advogado de Deise reforçou a importância da presunção de inocência, apontando que o inquérito ainda não foi concluído. Ele ressaltou que as evidências extraídas do celular precisam ser analisadas dentro do contexto em que foram obtidas.

Enquanto isso, a polícia segue investigando o caso e aguarda os resultados de novos exames periciais para confirmar o uso de arsênio em outras suspeitas de envenenamento. O caso chocou a comunidade local e ganhou repercussão nacional.

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