Denúncias envolvem intimidações e suspeitas de envenenamento de água em Mato Grosso do Sul; autoridades também identificaram informações falsas sobre supostos assassinatos.
O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) estão apurando denúncias de ameaças, intimidações e possíveis ataques contra comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul, após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado no domingo (25). As investigações foram iniciadas após a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) encaminhar relatos sobre episódios de violência, ameaças e suspeitas de contaminação de água. Os casos envolvem principalmente comunidades dos povos Guarani e Kaiowá.
Uma das situações investigadas ocorreu no município de Tacuru, onde áudios divulgados nas redes sociais contêm ameaças de envenenamento da água. Diante da gravidade das denúncias, o MPF estabeleceu prazo de 48 horas para que a prefeitura prestasse esclarecimentos sobre a autoria das gravações e as medidas adotadas para proteger as comunidades. O órgão também recomendou a abertura de processo administrativo e o afastamento cautelar de servidores, caso fossem identificados indícios consistentes de envolvimento. Até o momento, não há confirmação de que a água tenha sido contaminada.
Após a repercussão, a Prefeitura de Tacuru anunciou o afastamento de um servidor municipal e a abertura de um procedimento administrativo para apurar o caso. O prefeito Rogério Torquetti afirmou que o funcionário atua no setor de infraestrutura e não trabalha diretamente com o abastecimento de água. Segundo o gestor, as declarações foram feitas em um contexto de desentendimento após o resultado eleitoral. Lideranças indígenas, por outro lado, classificaram o conteúdo das gravações como uma manifestação de preconceito e intimidação contra as comunidades.
Em Naviraí, outra frente de investigação analisou denúncias de supostos assassinatos de indígenas por motivação política. Entretanto, as diligências do MPF concluíram que as informações divulgadas eram falsas. Segundo o órgão, o crime registrado no município foi uma tentativa de duplo homicídio relacionada a um desentendimento familiar, sem ligação comprovada com questões políticas ou étnicas. Imagens da ocorrência foram compartilhadas fora de contexto nas redes sociais, alimentando rumores sobre ataques contra povos indígenas.
Diante das denúncias, os ministérios dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Cidadania e da Igualdade Racial anunciaram uma atuação conjunta para acompanhar os casos e solicitar providências aos órgãos responsáveis. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) também mantém contato com lideranças das comunidades afetadas e com o MPF, buscando garantir a segurança das populações e a proteção de seus direitos.
As investigações continuam para esclarecer a autenticidade das ameaças, identificar possíveis responsáveis e verificar se houve crimes relacionados à discriminação ou à violência política. Até o momento, não há confirmação de todos os episódios relatados inicialmente. As autoridades reforçam que as denúncias precisam ser apuradas individualmente, para garantir a responsabilização por eventuais crimes e evitar a disseminação de informações falsas.