Grupo atuava na Câmara Municipal de Manaus; mais de 10 mandados cumpridos
O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) deflagrou na manhã desta sexta-feira (3) uma operação para desarticular uma organização criminosa que atuava dentro da Câmara Municipal de Manaus (CMM). A ação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e resultou no cumprimento de mais de 10 mandados de busca, apreensão e prisão.
Entre os alvos da operação está o vereador Rosinaldo Bual (Agir), que foi preso preventivamente, assim como sua chefe de gabinete. Durante a execução dos mandados, agentes localizaram três cofres no gabinete do parlamentar. Segundo o MPAM, Bual se recusou a fornecer as senhas e, por isso, os cofres foram recolhidos e levados para perícia na sede do órgão.
De acordo com as investigações, mais de 100 pessoas passaram pelo gabinete do vereador desde o início de seu mandato. A quebra de sigilo bancário, autorizada pela Justiça, revelou diversas transferências financeiras realizadas diretamente para a conta pessoal do parlamentar, o que levantou suspeitas de desvio e enriquecimento ilícito.
O MPAM informou que os detalhes da operação serão apresentados em entrevista coletiva de imprensa marcada para as 10h desta sexta-feira, na sede do órgão, localizada na avenida Coronel Teixeira, bairro Nova Esperança, em Manaus.
A trajetória de Rosinaldo Bual é marcada por passagens na iniciativa privada e no setor público. Ele iniciou sua carreira em 1994, na fábrica de relógios Dumont, no Distrito Industrial. Dois anos depois, ingressou no Exército Brasileiro, onde permaneceu até 2004, quando foi licenciado como sargento após completar o tempo de serviço.
Após deixar as Forças Armadas, Bual passou a atuar na área de trânsito, tornando-se instrutor e perito. Com mais de 17 anos de experiência nesse setor, consolidou-se como proprietário de autoescolas em Manaus, antes de ingressar na política, com trabalhos sociais em comunidades, especialmente no bairro da Compensa.
O vereador também já esteve envolvido em outro episódio polêmico em abril deste ano, quando quatro jovens foram indiciados por furto qualificado em sua residência. Do local, foram levados dinheiro e quatro armas de fogo. Entre os indiciados estava Gabriel Ferreira Barbosa, ex-apresentador de boi-bumbá, que tinha registros de proximidade com o parlamentar nas redes sociais.
Apesar das prisões e apreensões, os desdobramentos da operação ainda estão em curso, e o MPAM pretende divulgar novos detalhes sobre a investigação ao longo do dia. A expectativa é que o caso tenha repercussão significativa no cenário político manauara, já que envolve diretamente um parlamentar em exercício e sua equipe mais próxima.