Rodrigo fazia parte da nova turma incorporada recentemente à Polícia Militar do Amazonas (PMAM) e, segundo os manifestantes, vinha enfrentando uma rotina exaustiva
A morte do soldado Rodrigo de Almeida Carvalho, da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), comoveu colegas de farda e reacendeu o debate sobre as condições de trabalho enfrentadas pelos profissionais da segurança pública. Rodrigo tirou a própria vida na tarde da última terça-feira (22), dentro do Comando de Policiamento de Área (CPA) Leste, em Manaus.
Integrante da mais recente turma incorporada à PMAM, Rodrigo vinha enfrentando uma rotina considerada exaustiva por companheiros de profissão. Segundo relatos, os novos policiais têm trabalhado em escalas de cinco dias seguidos por apenas dois de folga, o que, de acordo com os manifestantes, contribui para um ambiente de estresse extremo.
Ainda na terça-feira, colegas de Rodrigo organizaram uma manifestação em frente ao CPA Leste. O ato reuniu diversos policiais em início de carreira e teve como objetivo chamar a atenção da sociedade e das autoridades para a sobrecarga enfrentada pela tropa. Eles alertam que, sem mudanças, outras tragédias podem acontecer.
A Associação das Praças da Polícia e Bombeiro Militar do Amazonas (Aspra) divulgou nota lamentando a morte do soldado e prestando solidariedade à família. A entidade também criticou as condições de trabalho impostas aos recém-formados, citando escalas abusivas e deslocamentos desgastantes como fatores que afetam a saúde mental dos militares.
Em nota oficial, a Polícia Militar do Amazonas também lamentou a perda do soldado e informou que a família está recebendo apoio psicológico e social da Diretoria de Promoção Social (DPS). A corporação disse ainda que Rodrigo não havia demonstrado sinais de sofrimento psicológico durante sua formação ou atuação na tropa.
Sobre a carga horária, a PMAM afirmou que o soldado cumpria uma jornada de seis horas diárias, de segunda a sexta-feira, no policiamento a pé. Segundo a instituição, os recém-formados da turma de 2024 foram designados para essa função com base no critério de antiguidade.
A morte de Rodrigo de Almeida Carvalho reforça a urgência de políticas públicas voltadas à saúde mental dos profissionais da segurança. A mobilização dos colegas e o posicionamento de entidades apontam para a necessidade de rever escalas e oferecer suporte contínuo aos policiais, especialmente aos que ingressam na corporação em um momento delicado.