Brasil

Morte de pastor Rina marca trajetória e polêmicas da igreja Bola de Neve

Sem um púlpito disponível na época de sua fundação, a igreja passou a usar uma prancha de surfe como apoio para a Bíblia, tornando-a símbolo de sua identidade

19 de Novembro de 2024

Pastor Rinaldo Luiz de Seixas Pereira, fundador da igreja Bola de Neve

Foto: Divulgação

O pastor Rinaldo Luiz de Seixas Pereira, fundador da igreja Bola de Neve, faleceu aos 52 anos na ocorrência de um acidente em uma rodovia de Campinas, São Paulo, na noite desta segunda-feira. Rina, como era conhecido, voltava de um culto quando sofreu o acidente. Ele foi socorrido com fratura na clavícula, mas não resistiu. Em nota, a congregação lamentou a perda, destacando seu legado: “Nos colocamos em oração por sua família e pela igreja abençoada por seu ministério”.

Fundada em 1999, a Bola de Neve cresceu sob a liderança de Rina, destacando-se por sua abordagem voltada ao público jovem, com cultos que mesclam rock, luzes e uma linguagem descontraída. Sem um púlpito disponível na época de sua fundação, a igreja passou a usar uma prancha de surfe como apoio para a Bíblia, tornando-a símbolo de sua identidade. Hoje, a congregação tem filiais em mais de 30 países, incluindo Europa e África.

Pastor Rinaldo Luiz de Seixas Pereira, ministrando púlpito era em formato de prancha - Foto: Divulgação

Além de seu trabalho ministerial, Rina era uma figura pública controversa. Ele apoiou a reeleição de Jair Bolsonaro em 2022 e defendeu a abertura de templos durante a pandemia, criticando o fechamento imposto por decretos estaduais e municipais. “Numa democracia, tem que haver garantias de liberdade religiosa”, afirmou em 2021.

A trajetória de Rina também foi marcada por denúncias e afastamentos. Desde junho de 2024, ele foi afastado de suas funções ministeriais devido a acusações de violência doméstica feitas por sua esposa, Denise Seixas, que afirmou ter sofrido agressões físicas e psicológicas. A Justiça concedeu uma medida protetiva em favor de Denise, enquanto a igreja criou um canal de ouvidoria para lidar com possíveis casos de má conduta.

A congregação questionou outras polêmicas ao longo dos anos, incluindo acusações de desvios verbais e abusos psicológicos em algumas de suas filiais. Ex-fiéis e figuras públicas, como Rodolfo Abrantes, relataram situações de constrangimento e abuso moral em unidades da igreja. Em nota, a Bola de Neve negou tais acusações, ressaltando seu compromisso com a restauração de vidas e famílias.

Apesar das polêmicas, a Bola de Neve deixa sua marca no cenário evangélico brasileiro, promovendo uma abordagem alternativa ao neopentecostalismo tradicional. A morte de Rina abre um novo capítulo para a congregação, que agora deve continuar sem a liderança de seu fundador, buscando equilibrar o legado de inovação com a superação de desafios internos.

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