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Morre o cantor e compositor Lô Borges aos 73 anos em Belo Horizonte

Parceiro de Milton Nascimento, ele marcou gerações com o movimento Clube da Esquina

03 de Novembro de 2025
Foto: Divulgação

O cantor, compositor e instrumentista Lô Borges morreu na noite do último domingo (2), aos 73 anos, em Belo Horizonte (MG). O artista estava internado desde o dia 18 de outubro em um hospital da região Leste da capital mineira, após um quadro de intoxicação por medicamentos. Segundo boletim médico, ele faleceu às 20h50, vítima de falência múltipla de órgãos.

A notícia foi confirmada pela equipe médica e por familiares, que lamentaram a perda do músico, considerado um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira (MPB). Em nota, o hospital manifestou pesar e solidariedade à família, amigos e admiradores, destacando que o país se despede de um artista cuja obra transcendeu gerações.

Na última sexta-feira (31), o cantor permanecia internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com ventilação mecânica e traqueostomia. Dias antes, havia passado por sessões de hemodiálise, segundo os boletins médicos divulgados. O quadro de saúde se agravou nos últimos dias, culminando na morte neste domingo.

Ícone do Clube da Esquina 

Símbolo do rock mineiro e da MPB, Lô Borges foi um dos criadores do movimento Clube da Esquina, ao lado de Milton Nascimento e outros músicos de Minas Gerais. O grupo uniu influências do rock britânico, da bossa nova e da música regional brasileira, resultando em um dos projetos mais inovadores da história da música nacional. O álbum “Clube da Esquina”, lançado em 1972, é considerado um marco da discografia brasileira.

A amizade de Lô com Milton começou na infância. Aos 10 anos, ele se mudou com a família para o centro de Belo Horizonte, onde conheceu o futuro parceiro musical, então com 20 anos. Dessa convivência nasceu uma das parcerias mais frutíferas da MPB, que resultou em canções eternizadas na voz de diversos artistas.

Entre os clássicos compostos pela dupla estão “Cravo e Canela”, “Tudo que Você Podia Ser”, “O Trem Azul”, “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo” e “Para Lennon e McCartney”. As letras, marcadas por poesia e sensibilidade, retratavam o olhar mineiro sobre o amor, a juventude e a esperança.

Além das parcerias, Lô Borges construiu uma sólida carreira solo. Seu “Disco do Tênis”, também de 1972, é considerado um dos álbuns mais originais da música brasileira, misturando sons experimentais, guitarras e melodias delicadas. Em sua trajetória, lançou mais de dez discos, entre eles “A Via-Láctea” e “Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor”, sucessos que reafirmaram sua identidade musical única.

Com uma carreira marcada por autenticidade e inovação, Lô Borges inspirou músicos de diferentes gerações. Sua influência pode ser percebida em artistas contemporâneos como Nando Reis, Skank e Samuel Rosa, com quem colaborou em diversas ocasiões. A sonoridade mineira de sua obra permanece como símbolo da introspecção e da beleza melódica brasileira.

O legado de Lô vai além das composições. Ele representava uma filosofia de vida pautada na liberdade artística e na valorização das raízes culturais. Suas canções, carregadas de emoção e lirismo, se tornaram trilha sonora de momentos marcantes para milhares de brasileiros.

O corpo do cantor será velado nesta segunda-feira (3), em Belo Horizonte, em cerimônia reservada à família e amigos próximos. A despedida promete reunir nomes da música e fãs que reconhecem em Lô Borges não apenas um músico, mas um poeta da alma mineira que ajudou a redefinir a música popular brasileira.

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